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Opinião

ARTIGO: Capitão Luiz Carlos Prestes, com seu bando, assalta a fazenda Resignação em agosto de 1924,

27 de maio 2013 - 15h33 Por José Tibiriçá Martins Ferreira
ARTIGO: Capitão Luiz Carlos Prestes, com seu bando, assalta a fazenda Resignação em agosto de 1924,

Foi noticiado pela mídia que o Senado da República do Brasil devolveu simbolicamente o mandato de Senador ao líder comunista Luiz Carlos Prestes, nascido em Porto Alegre em 03/01/1898, falecido em 07/03/1990. Foi militar e político brasileiro, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro, companheiro de Olga Benário, morta na Alemanha na câmara de gás pelos nazistas. Em 2012 foi eleito um dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos por concurso realizado pelo SBT e pela BBC. Formado no secundário no Colégio Militar e em Engenharia Militar pela Escola Militar do Realengo  no Rio de Janeiro em 1919, atual Academia Militar das Agulhas Negras. Foi engenheiro ferroviário na Companhia Ferroviária de Deodoro, como tenente foi transferido para o Rio Grande do Sul.

Segundo Maria Prestes, sua viúva, a devolução simbólica do mandato representa a correção de uma injustiça, cuja cerimônia contou com a presença de familiares dos dois ex-políticos, como a viúva de Prestes, Maria do Carmo e do filho Luís Carlos Prestes Filho. Quanto à sua filha Anita Leocádia Prestes, rejeitou o convite para participar de sessão especial do Senado que devolveu simbolicamente o mandato do líder comunista. Ela contestou a homenagem ao líder comunista Luiz Carlos Prestes e diz que o pai não estaria de acordo com o atual governo e as medidas aprovadas pelos parlamentares.

“Para mim isso é demagogia”, afirmou Anita, que é professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.

“São 65 anos desde a cassação do PCB (Partido Comunista do Brasil) - o PCB mudou de nome em setembro de 1960, quando passou a se chamar Partido Comunista Brasileiro, alcunha que mantém até hoje. Em 1962, uma dissidência da legenda criou o PCdoB (Partido Comunista do Brasil), que mantém o mesmo nome até os dias atuais, quase 30 anos desde que o País saiu do regime militar e vive em uma democracia. Por que tanto tempo? Por que só agora?”, questiona Anita. 

A professora afirma que o projeto, de autoria do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), é uma tentativa da classe política “com a imagem suja” de usar o nome do comunista para tentar “limpá-la”. “Estão tão desmoralizados que resolveram apelar para a imagem do Cavaleiro da Esperança (como Prestes passou a ser chamado depois das ações com a Coluna Prestes) para limpá-la. É um ato demagogo”, ataca. “Recusei o convite (para participar da sessão) por protesto e denúncia contra essa demagogia.”

Historiadora com diversos artigos publicados sobre o papel do PCB, de Prestes e dos demais parlamentares comunistas cassados junto de seu pai, Anita é filha do político gaúcho com a alemã Olga Benário, que conheceu na então União Soviética. Após um fracassado levante em 1936 contra o governo Getúlio Vargas, no que ficou conhecido como a Intentona Comunista, Prestes e a mulher foram presos.

Em outubro de 1924, já capitão, Luís Carlos Prestes liderou um grupo de rebeldes na região missioneira – Rio Grande do Sul, saiu de Santo Ângelo, e se dirigiu para São Luiz Gonzaga onde permaneceu por dois meses aguardando munições do Paraná, que não vieram. Aos poucos foi formando o seu grupo de comandados que vieram de várias partes da região. Rompendo o famoso "Anel de ferro" propagado pelos governistas, rumou com sua recém formada coluna para o norte até Foz do Iguaçu. Na região sudoeste do estado do Paraná, o grupo se encontrou e juntou-se aos paulistas, formando o contingente rebelde chamado de Coluna Miguel Costa Prestes com 1500 homens, que percorreu por dois anos e cinco meses 25.000 km. Em toda esta volta, as baixas foram em torno de 750 homens devido à cólera, à impossibilidade de prosseguir por causa do cansaço e dos poucos cavalos que tinham, e ainda poucos homens que morreram em combate.

Segundo minha vó Elisa e avô Xiru me contaram, confirmado por minha mãe  Jahyr,  que em agosto de 1924, o grupo de rebeldes sob o comando do capitão Luís Carlos Prestes, na denominada Coluna Prestes, ao desertar do Exército na cidade de Santo Ângelo-RS, onde servia, adentrou o nosso Estado saqueando as fazendas, sendo uma delas a da minha bisavó Carlota Almiron Lopez Gomes, hoje Colônia Militar dos Dourados.

Ela e os filhos tiveram que fugir para o mato, permanecendo ali até a retirada do bando, sua residência foi ocupada pelo grupo e serviu também de repouso para os feridos, muitos dos quais foram abandonados pelo caminho, durante a fuga.  Coube a tarefa de enterrá-los a Manoel Gomes, tio da minha mãe, sendo que no período em que ali permaneceram, mataram e consumiram todos os animais, fizeram festa, dançaram, pois no bando também existiam mulheres. Levaram todos os bens de valor que existia, como joias, inclusive um arreio todo prateado de estimação de Manoel Gomes. Meu avô Mantilha Martins (Xiru), gaúcho de São Borja-RS que vivia em Santa Virgínia, sendo avisado que o bando estava chegando, de carreta levou a família para o Paraguai e só retornou mais tarde, cuja propriedade também foi saqueada, mataram suas vacas e roubaram os cavalos.

Nesta época minha mãe Jahyr Martins Ferreira, 95 anos e dois meses, tinha 6 anos, e ainda hoje se lembra de trecho da canção que eles cantavam: “lá vem os paulistas, não vou lá não, porque eles são legalistas, têm metralha e canhão”. O bando continuou com os saques, até adentrar a Bolívia. Diante do quadro que ocorreu na fazenda, o seu primogênito, Major João Luiz Gomes Filho teve que enviar de Porto Alegre recurso para a mãe, pois ela ficou completamente descapitalizada.  

Agora pergunto: quando vão indenizar o prejuízo que deram à minha bisavó e ao meu avô em 1924?

 * O autor é advogado, produtor rural e segundo tenente reservista da arma de artilharia.