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Opinião

ARTIGO: Ficar 'bem na foto' ou agir com responsabilidade ?

20 de outubro 2015 - 17h39 Por Marcelo Mourão
ARTIGO: Ficar 'bem na foto' ou agir com responsabilidade ?

marcelo coluna O Brasil vive, inegavelmente, uma das suas maiores crises desde a ruptura constitucional que culminou na ditadura militar, cujo período não deixou saudades. Na verdade vivemos uma somatória de crises: crise política, crise ética, crise econômica, crise hídrica... há crises para todos os cardápios.  Quando o leitor pousar os olhos sobre este artigo não sei em que pé estará a crise política, mas é certo que as outras crises ainda estarão a nos perturbar corações e mentes e, principalmente, o bolso. Sempre que os gestores públicos agem com irresponsabilidade é ao bolso do contribuinte que recorrem para cobrir o rombo e não tem sido diferente desta vez. Mais impostos no Planalto, mais impostos na Planície (no nosso caso, no cerrado) e por aí adiante.

O Constituinte de 88 foi generoso ao espalhar atribuições, jogando para os municípios diversas responsabilidades. Foi, porém, muquirana ao manter a centralização dos recursos nas mãos do Governo Federal, como mostram os pires apresentados ano a ano pelos prefeitos nas suas “Marchas a Brasília”. Nesse cenário, o gestor que ao invés do caminho seguro da administração responsável optar pelo caminho tortuoso do populismo estará fadado a não ter como pagar o salário dos servidores, a dar calote em fornecedores e a perder investimentos, já que um dos critérios elementares observados pelos empreendedores é o que o SEBRAE chama de “ambiente institucional”. Se o gestor é equilibrado e responsável, as empresas vêm, como felizmente é o caso de Dourados. Se é perdulário, as cidades “patinam”, as benfeitorias não acontecem e o progresso vira miragem.

Sempre que abordo temas relacionados à administração pública gosto também de lembrar que esta, a administração pública, está em uma ponta. Na outra ponta estamos nós, cidadãos. Não compartilho nem dissemino a tese simplista de que “tudo é culpa do governo”. Veja-se o caso da crise hídrica, que assola mais o estado de São Paulo, mas que, por lógica, tende a se espalhar pelo Brasil. É claro que, conquanto dependa dos céus, o governador Geraldo Alkmin deveria ter tomado medidas de longo prazo, pois este deve ser o olhar do gestor da coisa pública.  Mas e o cidadão que “varre” calçadas com a água que jorra de mangueiras ou transforma sua casa em lava-jato (palavrinha tão em moda ultimamente)? Também não é um pouco culpado se esse bem da natureza cada dia se torna mais escasso?  Penso que a responsabilidade pela cidade é uma via de mão dupla, pela qual deve trafegar com responsabilidade tanto o gestor dos recursos advindos dos impostos como o cidadão que os paga.

Falamos até aqui dos gestores em cargos executivos. Nessa “conta”, deve entrar também os legisladores, aplicando-se a eles o mesmo dilema: ou a via fácil do populismo ou o caminho mais árduo da responsabilidade, do enfrentamento das situações, sobretudo aquelas que podem não nos deixar (sim, faço parte desse rol, como vereador que estou por nossa cidade) “bem na foto”, mas que, ao deitar a cabeça no travesseiro ou ao olhar olho no olho das pessoas, tenhamos a certeza de ter feito o que é certo e legal. Poderia relatar aqui diversas situações em que tive que fazer a escolha entre a irresponsabilidade populista, dando meu voto favorável a projetos inexequíveis ou inviáveis, e a responsabilidade e o ônus de dizer não a medidas que beneficiariam um grupo em detrimento da maioria. Nunca busquei agradar a todos, o que significaria muita pretensão.

Na crise ética que passa o país, quando figuras públicas desdizem o que disseram há pouco e assoviam canções que abominavam, tive em minhas mãos há poucos dias uma espada de Dâmocles na minha cabeça: Relatar e dar parecer em um caso que caiu “no meu colo” como membro e presidente da Comissão de Ética da Câmara Municipal. O fiz muito tranquilo, como mais uma atribuição do mandato e da qual eu não poderia simplesmente brincar de esconde-esconde. Vou agradar a todos? Não. Mas com certeza agradei a lei. É pela inobservância das leis, diga-se de passagem, que chegamos ao atoleiro político, econômico e ético em que nos encontramos.

Pensemos!! 

*O autor é Vereador em Dourados e suplente de Deputado Federal pelo PSD