angelo silva mt
Em março de 2023, o Brasil possuía 42.970.598 vínculos empregatícios regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com um salário médio de admissão de R$ 1.960,72, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego. A legislação trabalhista exige que os empregadores contribuam com o equivalente a 8% do salário do funcionário para a conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Estima-se que, mensalmente, os empregadores realizam depósitos que somam aproximadamente R$ 6,7 bilhões em prol dos trabalhadores.
Ao projetar anualmente esse investimento compulsório, temos a seguinte equação: 12 meses × 42.970.598 trabalhadores × R$ 1.960,72 salário médio de admissão × 8% percentual do FGTS. O resultado aponta para um investimento anual de R$ 80.883.178.474,14 (oitenta bilhões, oitocentos e oitenta e três milhões, cento e setenta e oito mil, quatrocentos e setenta e quatro reais e quatorze centavos), uma cifra que revela a relevância do FGTS como motor econômico.
Esta cifra expressiva indica que os empregadores e trabalhadores formalizados contribuem significativamente para a economia brasileira através do FGTS, tornando-se os verdadeiros investidores do país. Essa constatação nos leva a refletir sobre o papel do Estado em garantir a dignidade da pessoa humana e potencializar a geração de empregos formais com carteira assinada.
Entretanto, é pertinente questionar a coerência de um sistema que remunera os trabalhadores em apenas cerca de 3% ao ano pelo FGTS, enquanto instituições financeiras, públicas e privadas, cobram taxas de juros exorbitantes que chegam, em alguns casos, a 62,90% (crédito pessoal do BB) e 216,34% (cartão se crédito parcelado do BB) ao ano. Quem, afinal, é o verdadeiro investidor no Brasil?
Oportunidades se abrem para o Brasil ao ampliar a geração de empregos formais – tanto por empresas privadas quanto estatais – e, ao mesmo tempo, praticar taxas de juros mais justas e coerentes com a realidade dos cidadãos. Essa mudança poderá resultar em uma economia mais sólida, na valorização e no respeito à dignidade humana, além de beneficiar o país como um todo.
* É controlador interno (licenciado) da Prefeitura de Rondonópolis/MT e presidente de honra da AUDICOM-Associação dos Auditores e Controladores Internos dos Municípios de Mato Grosso