“Não pensei que tivesse esse tipo de violência e preconceito em Campo Grande”, diz o jovem de 20 anos, que não quer se identificar, uma semana após ser vítima de violência gratuita, no Centro da Capital, motivada por homofobia.
O rapaz sofreu fratura no tornozelo em duas partes após ser pisoteado por um dos agressores. Ele agora está na cadeira de rodas e, ao menos, pelos próximos 90 dias ficará afastado do trabalho.
Os momentos de terror aconteceram na madrugada do último sábado, dia 14, quando ele, o primo de 18 anos e um amigo de 21 anos voltavam de festa na boate Non Stop, que fica no prédio da antiga rodoviária.
Por volta das 5h30, os três passaram pelo cruzamento da Avenida Afonso Pena com a rua 14 de Julho para pegar o ônibus na Praça Ary Coelho. A vítima conta que um grupo de cerca de 5 ou 6 rapazes, vestidos com roupa de balada, estava encostado nos tapumes do local e começou a xingar os rapazes.
“Ficaram xingando a gente e gritando ‘olha as bichinhas vindo, bando de viadinho’”, afirma o rapaz vítima de agressão.
O rapaz e o amigo são homossexuais, mas ele afirma que não sabe por que o grupo começou os xingamentos sobre a preferência sexual deles. “A gente não estava fazendo nada e estávamos vestidos normalmente, mas talvez porque nossas roupas eram coloridas e mais chamativas”, diz.
Com isso, o jovem conta que questionou o grupo sobre o porquê de estarem xingando-os, mas os agressores disseram que não era nada e começaram a rir.
O rapaz afirma que foi embora, mas logo em seguida o grupo de rapazes voltou a gritar xingamentos e o primo da vítima resolveu ir tirar satisfações.
“Ele chegou numa boa, como eu também, mas aí um dos rapazes deu um soco na cara dele e os outros começaram a chutar até derrubarem ele no chão”, diz.
Vendo o primo ser agredido, o jovem foi ajudar e acabou também levando chutes e socos. Ele afirma que foi jogado no chão e um dos agressores pisou em cima do seu tornozelo várias vezes.
A vítima diz que as agressões só terminaram porque um carro parou na contramão da 14 de julho e um dos ocupantes gritou “parem de brigar”. O jovem diz que foi levantado do chão pelo amigo e não se lembra para onde os agressores fugiram.
“Meu amigo me ajudou a levantar e fomos pegar o ônibus. Eu estava mancando, mas achei que só tinha torcido o tornozelo”, diz.
No ônibus, o jovem percebeu que o tornozelo começou a inchar e já não conseguia mais mexer a perna. Ele foi levado direto para o posto de saúde e depois encaminhado para o Hospital Universitário para aguardar cirurgia.
“Contei com o apoio de alguns amigos pra me ajudar, porque no posto de saúde esperei durante horas atendimento e depois não tinha como ir para o CEM (Centro Especializado Municipal) tirar raio-x, disseram que a ambulância não podia fazer o transporte”, frisa.
O jovem ficou internado até a última quinta-feira (19) após passar por cirurgia no tornozelo para colocar pino.