Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
27°C
Polícia

PMs viram réus em ação penal de cobrança de propina e sequestro em Mato Grosso do Sul

28 de dezembro 2017 - 18h55 Por Juliene Katayama/G1
PMs viram réus em ação penal de cobrança de propina e sequestro em Mato Grosso do Sul Sargento e cabo no presídio militar, em Campo Grande (MS), depois da audiência de custódia — Reprodução/TV Morena/Arquivo

O juiz de Direito Alexandre Antunes da Silva recebeu a denúncia contra os sete policiais militares acusados de cobrarem R$ 150 mil para liberarem o caminhoneiro Rogério Fernandes Mesquita e a carga de cigarros contrabandeados no último dia 1º de dezembro, em Campo Grande.

A Corregedoria da Polícia Militar informou que os sete acusados foram afastados das funções por estarem recolhidos no Presídio Militar.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MP-MS), o cabo Vilalba e os soldados Moraes, Fernandes e Walgnei abordaram o caminhão próximo à rotatória na saída para São Paulo e determinaram ao motorista que encostasse o veículo.

Mesquita logo admitiu que a carga era de cigarros contrabandeados. Em seguida os quatro policiais pegaram R$ 5 mil do motorista e o colocaram na viatura. Eles foram até o sargente Aguir, que estava no veículo particular e exigiu que Rogério lhe entregasse as chaves e documento do caminhão, sob ameaça de lhe dar um tiro.

Em seguida, o sargento e o motorista foram até o caminhão, estacionado na avenida Gunter Hans esquina com a rua Verdes Mares, e o policial mandou Mesquita estacionar o veículo em outro endereço e retornar ao carro. Os demais militares retomaram as atividades para não levantar suspeitas.

Os cabos Eduardo Torres e Rafael Marques ficaram vigiando o caminhão, enquanto o sargento ficou com o caminhoneiro, fazendo pressão para que pagasse propina ou falasse quem era o proprietário da carga.

Nesse meio tempo, Fábio Garcete telefonou para o celular de Rogério, mas quem atendeu foi o sargento Aguir, que exigiu R$ 150 mil para liberação da carga, motorista e veículo. Garcete conseguiu o montante de R$ 30 mil e combinou de e entregar o dinheiro próximo ao local onde o caminhão estava, com a promessa de que entregaria o restante do valor exigido até a meia-noite.

No entanto, Fábio denunciou os fatos ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que foi repassada ao tenente coronel André Henrique de Deus Macedo, que assumiu a investigação, com o apoio do capitão Rigoberto Rocha, lotado no Batalhão de Choque.

Depois de constatarem os fatos, começaram a vigiar o local próximo de onde seria feito o pagamento. Por volta das 19h40, Fábio Garcete encontrou-se com o sargento Aguir e entregou o dinheiro. Em seguida, o policial entrou no veículo e dirigiu alguns metros até ficar ao lado de uma pick up dirigido pelo cabo Eduardo Torres, que pegou o valor e deixou o local imediatamente.

Aguir deixava o posto quando foi abordado pela equipe do capitão Rigoberto e recebeu voz de prisão. Também foi preso em flagrante o cabo Rafael Marques que estava próximo ao local e admitiu que estava esperando o sargento.

Além da denúncia dos sete policiais militares por concussão e sequestro, a promotora Renata Ruth Fernandes Goya Marinho pediu informações do inquérito da Corregedoria da Polícia Militar: relatório da guarnição de serviço composta dos acusados cabo Vilalba e soldados Moraes, Fernandes e Walgnei; relatório de deslocamento das viaturas utilizadas por essa equipe.

Também solicitou diligência para esclarecer se as armas e munições localizadas nas residências dos acusados, durante cumprimento do mandado de busca e apreensão, pertencem à corporação da PM. E o laudo de comprovação de substância entorpecente apreendido na casa do sargento Aguir.