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Soltura de dois suspeitos em aplicar golpes milionários é comemorado por vítimas

20 de fevereiro 2018 - 14h10 Por Ricardo Mello/TV Morena
Soltura de dois suspeitos em aplicar golpes milionários é comemorado por vítimas Mensagem em aplicativo de mensagem falando sobre prazo para possível pagamento do investimento — Reprodução/TV Morena

A soltura de tio e sobrinho, investigados por aplicarem golpes milionários em pelo menos 25 mil pessoas no país, foi comemorada por várias vítimas nesta segunda-feira (19) que acreditam que agora vão receber o dinheiro prometido pelo grupo chefiado por Celso Eder de Araújo e o tio dele, Anderson de Araújo, presos na Operação Ouro de Ofir, em novembro de 2017.

O pedido da defesa dos dois, apontados como chefes do grupo, foi atendido pela desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) Tânia Garcia de Freitas Borges, que estava de plantão no último sábado (17). O relator do processo é o desembargador Luiz Cláudio Bonassini Júnior, que negou um pedido de liberdade para os dois.

Celso e Anderson estão usando tornozeleira eletrônica. Mesmo assim, os dois vão precisar comparecer à Justiça todos os meses, dar informações sobre o trabalho e não poderão sair da cidade. A desembargadora ainda aceitou o pedido para manter o processo de sigilo.

As pessoas que atuam como corretoras no esquema criaram dezenas de grupos em aplicativos de mensagens para se comunicar com as vítimas. Muitas delas ainda acreditam que vão receber o dinheiro do 'investimento' e a esperança aumentou depois da saída de Celso e Anderson da cadeia.

Algumas mensagens dizem que os pagamentos vão ser feitos em 15 dias. Em outras tentam convencer as pessoas de que a soltura é uma prova de que o dinheiro existe mesmo: "Confirmado: doutor Celso e Anderson estão em casa. Foram liberados hoje pela Justiça, Glória a Deus. Agora eu acredito que as coisas vão andar".

Apenas Sidnei dos Anjos Peró permanece preso. Ele tem outro advogado. Para a Polícia Federal, é considerado concorrente de Celso no golpe que enganou pelo menos 25 mil pessoas no país em 10 anos.

Sigilo

O advogado especialista em direito penal, Marlon Ricardo Chaves, afirma que não é comum decretar segredo de justiça em processos que tratam de estelionato. Segundo o especialista, o sigilo serve para proteger dados pessoais dos envolvidos, como sigilo bancário e telefônico.

"Quando a gente fala de processo penal, ou a gente fala de processo envolvendo menor, ou um processo feito pela vítima para resguardar a integridade dessa própria vítima. Quando aconteceu pela acusação, como é supostamente o caso, é para resguardar a integridade do acusado ou a exposição que ele tem, não é comum", afirmou o advogado.

Operação Ouro de Ofir

Segundo o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Cléo Mazzotti, um dos golpes aplicados era prometer a investidores um retorno milionário com a repatriação de corretagem da venda de ouro de uma fictícia mina de ouro na Bahia.

O outro golpe prometia quantias também milionárias com a liberação de uma antiga Letra do Tesouro Nacional (LTN), mas também mediante pagamento prévio.

O grupo tinha quatro divisões: os líderes, chamados de paymasters; os escriturários, que ficavam encarregados de recrutar os corretores, e estes, que procuravam as vítimas, em redes sociais, grupos de WhatsApp e até em igrejas.