Quadrilha 'usava' estudantes que cursam medicina na fronteira de Corumbá com o país vizinho — Divulgação/PF
A PF (Polícia Federal) realiza nesta quarta-feira (17) a Operação Hipócrates, com cumprimento de mandados em Corumbá. A ação mira uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro que, em quatro anos, movimentou mais de R$ 90 milhões, conforme as investigações.
São cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e outros cinco de busca e apreensão. Também foram realizados sequestro de bens móveis e imóveis, bloqueio de contas e suspensão da atividade econômica das empresas dos investigados. As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo da 3ª Vara Federal de Campo Grande.
Durante as investigações, a Polícia Federal, com apoio da Receita Federal, identificou um grupo de pessoas especializadas em lavagem de dinheiro. Os alvos da operação faziam saques em agências bancárias em Corumbá e, em seguida, levavam o dinheiro até a Bolívia. No país vizinho, os investigados depositavam os valores em casas de câmbio de Puerto Quijarro e Puerto Suarez.
A operação descobriu, ainda, que os investigados constituíram diversas empresas de fachada, com a finalidade de movimentar recursos provenientes de crimes diversos, como tráfico de drogas e peculato. Todos irão responder pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de capitais e organização criminosa, cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de prisão.
A operação foi denominada “Hipócrates” em referência ao filósofo grego pai da medicina, uma vez que o envio de dinheiro era feito para estudantes brasileiros de medicina na Bolívia, utilizado como justificativa para a remessa ilegal dos valores ao país vizinho. A PF afirma que a operação reitera que a atual pandemia não afetou as investigações e ações da instituição, principalmente na repressão aos crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas nas regiões de fronteira.