Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
26°C
Polícia

Fazendeiro se torna réu por ocultação de cadáver e violação de cemitério indígena em Dourados

19 de março 2021 - 01h23 Por Redação Douranews
Fazendeiro se torna réu por ocultação de cadáver e violação de cemitério indígena em Dourados

O fazendeiro Laertes Alberto Dierings se tornou réu, após denúncia oferecida à Justiça pelo MPF (Ministério Público Federal) em Mato Grosso do Sul por ocultação de cadáver e violação de cemitério indígena, em Dourados. De acordo com o órgão, cerca de 80 corpos podem ter desaparecido do local. A denúncia foi acatada pelo TRF3, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

De acordo com a revista Brasil de Fato, em 12 de setembro de 2013, servidores do MPF e da Funai (Fundação Nacional do Índio) estiveram na fazenda ‘Vô Lauro’, localizada em território reivindicado pelo povo Guarani-Kaiowá, que mantém um acampamento a nove quilômetros da área. Com eles, estava, também, Bonifácio Reginaldo, líder indígena da região.

Em seu testemunho, o líder indígena Bonifácio Reginaldo contou a história do cemitério. “O cemitério já estava neste local antes da ocupação da área, em agosto de 1986, tanto que meu pai, falecido em 1948, estava enterrado lá, assim como outros índios. Havia uns 80 corpos no cemitério, que foram sendo retirados um a um pelos funcionários da fazenda, acompanhados do proprietário”, disse.

Enquanto vistoriavam a área, os servidores foram interrompidos por Dierings, que os expulsou da fazenda. Antes, disse que “não havia indígenas ali enterrados, como também frisou que todos os corpos haviam sido removidos”, segundo o depoimento de um dos membros da diligência.

Dierings é o presidente da Coopasol, a Cooperativa Agropecuária Sul-mato-grossense e um dos sócios da Alecrim Agropecuária Ltda, razão social da Fazenda Vô Lauro, que trabalha com cultivo de soja, arroz e milho em Dourados. O outro proprietário é Cesar Roberto Dierings, irmão dele, atualmente também suplente de diretor do Sindicato Rural de Dourados.

Ambos são filhos de Lauro Dierings, homenageado com o nome da fazenda, nascido no Rio Grande do Sul em 1942, mas que em 1968 se mudou para Dourados, onde em 1972 começou a criar gado. O gaúcho morreu em 2013, deixando a propriedade rural para Cesar e Laertes.