Justiça Federal já tinha isentado Junior Bonato em crime de associação para o tráfico internacional de drogas — Divulgação
O empresário douradense Junior da Silva Bonato, o Juninho, assassinado no final da tarde do dia 7, com vários tiros que teriam sido desferidos a mando do então sócio no empreendimento que mantinha através da empresa DG Transportes, em Dourados, teve a inocência reconhecida pela juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, após o envolvimento com o tráfico de drogas que o levou para a cadeia em 2010. A defesa dele, representada pelos advogados Flávio Freitas e Upiran Gonçalves, argumentou que os indícios apontados pela acusação não foram suficientes para envolver o cliente.
Bonato atuava no ramo de empresa de transporte e como corretor de imóveis e veículos, em sociedade com Rodinei Alves dos Santos, que chegou a ser preso em flagrante, dois dias depois do crime, em investigações conduzidas pelo delegado de Polícia Civil Erasmo Cubas, sob suspeita do envolvimento direto na morte do sócio, citado ainda como o ‘mandante’ do assassinato, após ter destruído o próprio aparelho de telefone celular no tempo em que ficou retido dentro da casa da vítima pelo matador de Junior Bonato.
Entenda o caso
A denúncia do MPF (Ministério Público Federal), oferecida em 2011, acusou determinados indivíduos, dentre eles o empresário Junior Bonato, de estarem envolvidos no crime de associação para o tráfico transnacional de drogas. As investigações que serviram de base para a acusação foram conduzidas pela Polícia Federal em São Paulo e iniciaram-se em 2009; sendo que no ano de 2010 ocorreram interceptações telefônicas em diversos números do estado de São Paulo e de Mato Grosso do Sul, dentre eles o de Junior.
A vítima do crime da semana passada foi inocentada porque, na época, a juíza considerou que “as provas dos autos que referem a JUNIOR são indicações e sugestões esparsas que poderiam remeter ao tráfico de drogas, como no bilhete encontrado quando da busca e apreensão, sem que, no entanto, tenham valor probante para sustentar um decreto condenatório nas penas do crime a si imputado”. Ou seja, não poderia haver uma condenação criminal tão somente com base em um bilhete encontrado no veículo do acusado.
O celular de Rodinei
Investigado como suposto mandante do crime que matou Junior Bonato, e sócio dele há 20 anos, o conhecido empresário douradense Rodinei Alves dos Santos, chegou a ser preso dois dias depois da morte de Bonato, e durante as investigações o delegado do SIG (Serviço de Investigações Gerais) da Polícia Civil encontrou um aparelho de telefone celular destruído, o que ampliou as suspeitas.
Na delegacia, entretanto, Rodinei disse ter destruído o celular, para não ter que entregá-lo à perícia, com o argumento de que no dispositivo havia material de cunho sexual, que poderia expor e comprometer a ele e a esposa, além de outras pessoas da cidade. Após essas explicações, o juiz da 3ª Vara Criminal de Dourados, Eguiliell Ricardo da Silva, relaxou o pedido de prisão temporária que havia sido pleiteado pelo delegado Erasmo Cubas.