Trabalho de investigação do SIG resolve mais um crime de latrocínio cometido em Dourados — Sidnei Lemos
O SIG (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil de Dourados concluiu que a morte do agricultor Ireno Dias dos Santos, de 70 anos, ocorrida na segunda-feira (30), foi tramada pela própria filha dele, Irene Márcia Teodoro dos Santos Alencar, e o amante, identificado como Adaias Oliveira Silva, ambos presos nesta sexta-feira (3) em Dourados.
Apontados pelo envolvimento no crime de latrocínio (roubo seguido de morte), Irene e Adaias entraram na linha de suspeitos depois que a Polícia identificou que apenas os familiares da vítima sabiam onde ficava o cofre com os R$ 200 mil, dinheiro da produção rural que Ireno Dias guardava em casa, e que foi levado pelos supostos assaltantes.
Parentes e até desafetos de Ireno foram intimados a depor, mas apenas Irene entrou em contradição. Outro detalhe que chamou a atenção dos investigadores é que no dia do crime, familiares tiveram dificuldade em contatar Irene para comunicar o ocorrido, como relata o repórter Sidnei Lemos. Na delegacia, ao ser questionada sobre onde estava na noite do latrocínio, ela disse que ficou na casa de uma amiga, versão desmentida pela própria colega, que também foi ouvida pela polícia.
A provável amida ainda chegou a dizer aos policiais do SIG que Irene pediu para que ela mentisse, porque na verdade, havia passado a noite num motel, com o amante. O suposto amante, que seria funcionário de uma casa de carnes em Dourados, também foi ouvido pela polícia, mas alegou que não via a mulher há mais de dois meses. Foi então que os investigadores descobriram que Adaias é quem era o verdadeiro amante de Irene.
Cabo da reserva do Exército Brasileiro, Adaias era colega de trabalho de Irene e praticante do grupo CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Atirador) na cidade. Diante da suspeita do envolvimento no crime, ele foi abordado por volta das 11 horas desta sexta-feira no local trabalho de trabalho, e flagrado armado com uma pistola nove milímetros, municiada — mesmo calibre dos tiros que atingiram o agricultor.
O homem foi encaminhado à delegacia por porte ilegal de arma, e na unidade os investigadores apuraram que a pistola tinha exatamente as mesmas características da que foi usada no crime. A confirmação se deu com base no depoimento de um neto da vítima, de dez anos, filho de Irene, feito refém durante o dia do assassinato.
O garoto disse que a pistola usada por um dos criminosos tinha três pontos de miras na cor verde, igual a do militar. A criança também contou que o suspeito estava com roupa camuflada do exército e coletes à prova de balas. Assim como a amante, o celular de Adaias também havia sido formatado recentemente. Além disso, no porta-malas do carro do suspeito os policiais encontraram sinais de pressão por conta do peso para a locomoção do cofre.
“Não sabemos se ela estava mantendo esse amante, sustentando ele, mas o resultado acabou sendo o latrocínio”, disse o delegado Erasmo Cubas, chefe do SIG, em Dourados. Parte do dinheiro roubado já foi localizado em uma conta do militar e a polícia tenta descobrir para onde foi o restante. A arma e o veículo Argo de um dos amantes da filha do fazendeiro morto foram apreendidas para serem periciados.