Jornalista foi executado em fevereiro de 2020 — Arquivo
O Conselho de Superintendência do Supremo Tribunal de Justiça paraguaio ordenou a revisão imediata nos autos do processo em que Waldemar Pereira Ribas, o ‘Cachorrão’, foi absolvido da responsabilidade pela execução do Jornalista Léo Veras, ocorrida em fevereiro de 2020 em Pedro Juan Caballero.
O pedido de auditoria é assinado pelo ministro do Supremo Tribunal de Justiça e Superintendente da Comarca de Amambay, César Manuel Diesel Junghanns e questiona a decisão Tribunal de Sentença de Pedro Juan Caballero. A intenção é anular o julgamento.

A absolvição de Waldemar Pereira Ribas, que continua preso por envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital), foi assinada pelas magistradas Carmen Silva Bóbeda, Juana Aguirre e Mirna Soto, porém, o Tribunal de Sentença de Pedro Juan Caballero alega que o Ministério Público não fez o trabalho direito. A crítica é extensiva ao promotor assassinado na Colômbia Marcelo Pecci, que foi o primeiro a realizar batidas na propriedade de ‘Cachorrão’.
Além disso, na fundamentação das magistradas, as investigações do Ministério Público paraguaio não provaram a existência do ato punível de associação criminosa e homicídio doloso, pelo que foi absolvido de culpa e punição.
Entretanto, para o Ministério Público, não há dúvidas de que o criminoso teria sido cúmplice do homicídio ao fornecer material logístico aos supostos assassinos, que executaram o jornalista a tiros. Na propriedade da irmã dele foi encontrado um Jeep Cherokee que aparentemente foi usado no crime.
Impunidade
O promotor Andrés Arriola não aceita a decisão do Tribunal. Ele havia pedido uma pena de prisão de 14 anos para ‘Cachorrão”. Segundo o órgão, o caso não deveria ser tratado como crime comum e deixa subtendido que o crime organizado continua impune, uma vez que as investigações sobre a morte de Léo Veras foram iniciadas pelo promotor Marcelo Pecci, assassinado na Colômbia.
Durante o júri, a principal testemunha disse em plenário que não podia contar muita coisa, já que nem a fisionomia dos autores viu no dia do assassinato. A testemunha revelou, apenas, que viu um carro de cor branca fugindo do local.
‘Cachorrão’ foi preso no dia 1º de maio daquele ano, em Pedro Juan Caballero, por agentes da polícia paraguaia. Durante o julgamento, foi incluído pelo Ministério Público o laudo técnico da perícia do celular dele, foi apreendido na cela de ‘Cachorrão’, de quem também se provou a propriedade do Jeep Renegade, de cor branca, usado na execução do jornalista.
Conhecido jornalista investigado do setor policial na fronteira, Leo Veras foi morto enquanto jantava com a família, na casa localizada no bairro Jardín Aurora, em Pedro Juan Caballero. (Com reportagem de Marcos Morandi/midiamax)