Bruna Nathália é apontada como 'chefe' do esquema — Eliel Oliveira
O médico Gabriel Paschoal Rossi, de 29 anos, morto estrangulado em Dourados no fim de julho, estava envolvido em um esquema de estelionato e teria ameaçado entregar a quadrilha da qual participava para tentar receber R$ 500 mil que teria em haver com o grupo de Minas Gerais, preso nesta segunda-feira (7) em ação conjunta das Polícias Civil, Rodoviária Federal e Militar de Dourados e do estado vizinho.
Declarações do delegado Erasmo Cubas, titular do SIG (o Serviço de Investigações Gerais) da Polícia Civil de Dourados, disse, em Coletiva de Imprensa na manhã desta terça-feira (8), que Gabriel ‘conhecia’ o esquema que seria liderado pela jovem Bruna Nathalia de Paiva e que chegou ao débito de R$ 500 mil para o médico. Como não recebeu o dinheiro, Gabriel Rossi teria começado a série de ameaças contra Bruna, dizendo que iria ‘entregar’ todo o esquema. Por isso, ela resolveu encomendar a morte de Gabriel.
A função do médico, até então tido na comunidade de Dourados como uma pessoa de conduta exemplar, tanto que colegas da profissão chegaram a se cotizar, numa espécie de ‘vaquinha’, inclusive, para cobrir custos com o traslado do corpo dele para o Rio Grande do Sul, era de ‘emprestar’ dados falsos para que os crimes fossem cometidos.
De acordo com o delegado Erasmo Cubas, o médico tinha como função ir até a Caixa Econômica Federal para fazer os saques com documentos falsificados, que eram usados, de pessoas mortas. O dinheiro era dividido entre os membros da quadrilha, que tinha como cabeça a Bruna Nathalia.
Ainda segundo o delegado, mesmo após a morte do médico contas foram criadas no nome dele pela quadrilha que continuou a aplicar golpes de estelionato, utilizando-se de cartões clonados. Gabriel teria conhecido Bruna pelas redes sociais ainda como estudante de Medicina da UFGD, onde se formou no começo deste ano. Erasmo Cubas acredita que o médico foi ‘cooptado’ pela moça para integrar a quadrilha.
Presos chegaram em Dourados na madrugada (Eliel Oliveira)
Além da suposta mentora da operação, foram presos Gustavo Kenedi Teixeira, Keven Rangel Barbosa e Guilherme Augusto Santana, os quais teriam sido contratados pela mulher para praticar o crime de morte contra o médico. A quadrilha veio para Dourados de ônibus e fugiu também de ônibus para Minas Gerais.
O assassinato ocorreu no dia 26 de julho, mas o corpo de Gabriel só foi localizado no dia 28, após uma vizinha chamar a polícia porque percebeu um mau cheiro que saía da casa. Ainda segundo o delegado, o médico ficou agonizando cerca de 48 horas antes de morrer. Os três homens foram contratados para cometer o assassinato e cada um teria recebido o valor de R$ 50 mil. Todos tiveram a prisão preventiva decretada.