O processo de nº 31255 foi registrado na 11ª Vara Cível de Campo Grande, alegando a utilização de dados inverídicos publicados na matéria e a postagem de arquivos de áudio da Polícia Federal nas investigações da operação Uragano (furacão, em italiano), que investiga um suposto esquema de desvio de verbas públicas em Dourados.
Par José Eduardo Marzagão, assessor de imprensa do gabinete, Ítalo foi ingênuo ao entrar em um jogo político. "Ele [Ítalo] foi manipulado sem ter capacidade de produzir uma matéria verdadeiramente apurada", disse.
Ítalo, em entrevista ao Portal Notícias se defende e afirma que o clima de censura e medo por parte dos veículos locais não permite que poderosos políticos sejam denunciados. "A matéria está sendo censurada no Mato Grosso do Sul, e justamente por isso, consegui publicá-la somente no Terra. Todos os jornalistas locais tiveram acesso ao material, mas o medo político e a pressão não permitem o exercício de um jornalismo livre", afirmou.
Marzagão também reclama que Ítalo não procurou a assessoria do senador antes de publicar a matéria, porém, Ítalo teria afirmado que falou pessoalmente com o senador: "Eu conversei com o Delcídio em Campo Grande no mês de abril, e expliquei a situação", argumenta Ítalo, esclarecendo o que foi publicado na própria reportagem.
Quanto ao Terra, Marzagão afirma que o portal comprou a história porque não tinha o histórico da Operação Uragano ."O Terra cometeu um equivoco de avaliação e entrou de gaiato na história", diz o assessor. Ao portal afirmou não ter sido informado sobre o teor do processo, e que só poderá dar algum posicionamento após ter conhecimento dos autos. No mesmo dia em que a nota foi emitida pelo senador, o Terra publicou o direito de resposta.
Após o senador ter se posicionado em nota oficial uma nova matéria publicada no dia 25 de maio, mostra o delegado do caso rebatendo as informações do senador. "O delegado da regional de combate ao crime organizado da Polícia Federal, Braulio Cezar Galloni, respondeu à nota do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que afirmava que as denúncias descobertas na Operação Uragano são frágeis. O delegado, que coordenou a ação, afirmou que as informações sobre o senador e outros parlamentares federais são elementos que devem ser levados em conta para novas investigações", diz a segunda matéria.
Ítalo segue apurando o caso, mas afirma estar preocupado quanto a ameaças e eventuais represálias que possa sofrer. "Por enquanto, só recebi alguns avisos de pessoas próximas 'olha toma cuidado, se trata de uma pessoa muito poderosa no estado e é um esquema grande de corrupção'". Ele destaca que mesmo temendo algum tipo de repressão por parte do senador, continua cumprindo seu papel para romper a censura local.