Condenado por ter se referido ao ex-presidente da República Fernando Collor (PTB-AL) como "safado" e "cheirador de cocaína", Ciro Gomes (PSB-CE) terá que pagar R$ 100 mil ao ex-presidente. As acusações teriam sido feitas durante entrevista de 1999.
Na ocasião, Ciro teria acrescentado ainda que era desta forma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria ter chamado Collor em 1989, quando eles disputavam a presidência da República e Collor saiu vitorioso.
Na entrevista que levou os dois políticos à Justiça, Ciro cita o episódio em que Collor levou à sua campanha a ex-mulher de Lula. "Collor disse: você quis fazer um aborto em sua mulher. Collor baixou o nível e quem tinha rabo de palha era ele", atacou Ciro.
O ex-deputado foi ainda mais incisivo dizendo que Lula devia ter dito a Collor para deixar de ser picareta e um playboy safado. Para ele, Lula deveria ter dito "Eu sou um miserável do interior, vim num pau-de-arara. Engravidei involuntariamente minha namorada, mas não tinha dinheiro nem para comer. Passou na minha cabeça, esse negócio de aborto. Graças a Deus, ela não concordou. Minha filha está aí, estou criando. Agora, você é um playboy, cheirador de cocaína. Eu tinha mandado uma porrada nele (Collor) que ele tinha saído quase cego".
Na decisão favorável a Collor, o juiz Marcos Roberto de Souza Bernicchi rejeitou a tese de que os termos foram usados para expressar o que Lula deveria dizer a Collor durante a campanha. Para o magistrado, as declarações foram proferidas a a clara intenção de ofender o autor.
O advogado de Ciro, Leandro Berchielli, informou que vai recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça de São Paulo.