A desonestidade é a responsável pela queda de mais de 80 prefeitos desde as últimas eleições, em 2008. Estudo da CNM (Confederação Nacional dos Municípios) diz que, entre o ano em que foram eleitos os prefeitos que agora estão concluindo mandatos até fevereiro de 2012, 76 administradores perderam o cargo por improbidade administrativa: 36,6% de todas as cassações.
Improbidade, diz a lei, significa "conduta incorreta, desonesta, ilegal, abusiva e com enriquecimento ilícito do Agente Público".
De fevereiro até agosto deste ano pelo menos oito prefeitos foram varridos do cargo acusados pela mesma razão. O número não é confirmado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que admite não conhecer a quantidade exata de prefeitos cassados no País, segundo reportagem do portal R7.
Para o cientista político do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa nas Áreas de Negócios e Economia), Humberto Dantas, essa quantidade de cassados mostra que nem todo caso de política termina em pizza.
“O senso comum diz que o político não presta contas à Justiça. Essas cassações mostram que a classe política presta contas sim”.
O último a perder o cargo foi o prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), no dia 30 de julho. Ele é acusado de usar dinheiro da Prefeitura para pagar os vigias que faziam a segurança da rádio da família.
Dourados
Em dezembro de 2010 o prefeito eleito de Dourados em 2008, Ari Artuzi, renunciou ao mandato ainda na cadeia, onde ficou preso desde setembro daquele ano, acusado de chefiar quadrilha de corrupção a partir de investigações do episódio que ficou conhecido como “operação Uragano” (furacão, em italiano) e que levou mais de 60 pessoas a responderem processos por irregularidades no Município.
Ao todo, 210 prefeitos foram cassados até fevereiro, 48 deles por fraudes na campanha eleitoral. Um deles, Antonio Belinati (PP), nem tomou posse após vencer em Londrina/PR. O TSE (Tribunal superior Eleitoral) entendeu que ele não poderia ter concorrido naquele ano porque a prestação de contas da campanha de 1999, quando ele era prefeito, havia sido rejeitada. Para o cientista político Alexandre Rocha, da UnB (Universidade de Brasília), essas cassações “mostram que a corrupção não é mais aceita”.
Assassinatos
Em outras 56 cidades o prefeito morreu, oito dos quais cometeram suicídio ou foram assassinados.
Em agosto do ano passado, o prefeito de Nova Canaã do Norte/MT, Antônio Luiz Cesar de Castro (DEM), morreu na frente de uma das filhas depois que um homem encapuzado invadiu uma festa e disparou cinco vezes. No mês anterior, outro prefeito mato-grossense foi assassinado em sua casa por homens armados. Os dois filhos adolescentes do prefeito de Novo Santo Antônio, Valdenir Antônio da Silva, estavam em casa quando o crime aconteceu.
Outra história trágica foi o suicídio do prefeito de Pongaí/SP, Ademir Bortoli (PSDB), em abril de 2011. Mesmo tendo atirado contra a própria cabeça, ele foi encontrado com vida por um funcionário da prefeitura. Bortoli estava caído sobre o volante de um carro com um revólver no colo. O prefeito foi levado para o hospital, mas não resistiu.