O senador Delcídio do Amaral (PT/MS) está lutando para levar água aos assentamentos e defende a criação, por parte dos governos estadual e federal, de mecanismos que garantam a comercialização dos produtos oriundos das pequenas propriedades, como forma de fortalecer e ampliar a agricultura familiar na Região Centro-Oeste e, de modo especial, em Mato Grosso do Sul.
“Os números da agricultura familiar no Centro-Oeste ainda são pequenos diante do que podemos produzir, diferente do que acontece no Sul do Brasil. Precisamos avançar, proporcionar condições aos pequenos produtores e às famílias que vivem nos assentamentos. Em boa parte deles não existe nem rede de água para consumo dos moradores, que dirá para a produção agropecuária. Precisamos oferecer infraestrutura e, ao mesmo tempo, garantir a comercialização, porque muitos produtores não têm onde vender o que produzem e com isso ficam sem condição de planejar o plantio”, afirmou Delcídio, durante o encerramento do I Encontro Regional da Agricultura Familiar e Economia Solidária, realizado ontem (6) em Dourados.
O evento, promovido pela Prefeitura de Dourados, em parceria com o Sebrae, na sede da Embrapa, reuniu cerca de 2.500 agricultores familiares, além de 15 prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e vereadoras de municípios da Grande Dourados e do Cone Sul.
De acordo com o senador, o governo federal tem feito várias ações de apoio a agricultura familiar, mas é preciso avançar mais. “O governo federal criou o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional da Alimentação Escolar) que têm o papel de incentivar a organização da produção através da garantia da comercialização. Além disso, tem distribuído, através do Ministério do Desenvolvimento Agrário, máquinas e caminhões para que as prefeituras atendam aos assentamentos e façam a manutenção das estradas vicinais. Tudo isso é absolutamente importante, porque cria perspectivas para os produtores. Mas Mato Grosso do Sul tem que tratar a agricultura familiar separadamente. É necessário um esforço contínuo e a união dos municípios com o estado e o governo federal para apoiar a agricultura familiar, promovendo a qualificação dos pequenos produtores. Com isso as prefeituras e o estado ganham, através do desenvolvimento econômico local, o aumento de renda das famílias, a melhoria na qualidade de vida e a fixação das famílias no campo de forma digna”, enfatizou Delcídio.
Déficit
De acordo com dados da Ceasa, Mato Grosso do Sul está longe de ser um estado auto sustentável na produção de alimentos, considerando que grande parte dos hortifrutigranjeiros consumidos pela população vem de outros estados, chegando a 80% em determinadas épocas do ano. “A agricultura familiar, bem estruturada, pode ajudar a reduzir nossa dependência dos estados vizinhos”, ponderou o senador.