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Nestor Cerveró fica calado durante segundo depoimento à Polícia Federal

19 de janeiro 2015 - 14h10 Por Redação Douranews
Nestor Cerveró fica calado durante segundo depoimento à Polícia Federal

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró ficou calado durante o segundo depoimento à Polícia Federal (PF), que foi realizado na tarde desta quarta-feira (28), em Curitiba.

De acordo com o advogado Beno Brandão, que representa Cerveró, a orientação foi para que ele permanecesse em silêncio porque a defesa está questionando a legimitidade do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações penais oriundas da Operação Lava Jato, da PF, na primeira instância.

"A defesa entende que a competência [de juízo] não é daqui, é do Rio de Janeiro [onde fica a sede da Petrobras]. A gente já encaminhou uma petição. Por enquanto, ele vai permanecer em silêncio", afirmou o advogado. Ele acredita que em duas semanas se tenha uma decisão sobre a questão da incompetência de juízo.

O assunto deste depoimento foi a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Como na primeira oitiva na Polícia Federal, que ocorreu um dia após a prisão de Cerveró, nada sobre isto foi abordado, conforme informou a defesa à época, os advogados pediram nova oitiva para que a compra da refinaria da Pasadena fosse questionada.

Brandão relatou que foram feitas cerca de dez questionamentos e que não houve pressão dos dois delegados que fizeram as perguntas. O advogado disse que o cliente "está bem e esperançoso" e que a defesa avalia o pedido de um novo habeas corpus.

Cerveró é réu em uma ação penal da Lava Jato por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro e está preso desde 14 de janeiro. O ex-diretor da estatal foi preso no Rio de Janeiro, quando voltava de uma viagem a Londres. No mesmo dia, ele foi levado para sede da PF na capital paranaense, onde também estão detidos outros investigados da Operação Lava Jato. Segundo a PF, foram apreendidos documentos e mídias relacionados às transações financeiras dele.

Acusações
Cerveró foi diretor da área Internacional da Petrobras de 2003 a 2008, durante o governo do presidente Lula. Já no governo da presidente Dilma Rousseff, assumiu a diretoria financeira da BR Distribuidora, onde permaneceu até ser demitido do cargo, em março de 2014.

Segundo o MPF, o ex-diretor recebeu propina, em dois contratos firmados pela Petrobras, para construção de navios-sonda, usados em perfurações em águas profundas. O pagamento, no valor total de 40 milhões de dólares, foi relatado pelo executivo Júlio Carmago, da Toyo Setal – que fez acordo de delação premiada no decorrer das investigações.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, também réu da Lava Jato, citou Cerveró no acordo de delação premiada. Em depoimento à Justiça Federal (JF) do Paraná, em outubro de 2014, Paulo Roberto disse que Cerveró recebeu propina na compra da refinaria da Pasadena, nos Estados Unidos. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), o negócio gerou prejuízos de 790 milhões de dólares à Petrobras.

A compra de Pasadena foi aprovada, em 2006, pelo Conselho de Administração da
Petrobras, que à época era presidido por Dilma Rousseff. Segundo a presidente, o resumo executivo que orientou o Conselho, e que foi produzido por Cerveró, era falho. Em julho, o TCU responsabilizou Cerveró e outros nove diretores e ex-diretores da Petrobras pelos prejuízos na compra.

 

Fonte: G1