No dia em que o governo federal deve anunciar redução da meta de superávit primário e cortes no orçamento de 2015, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que só reduzir a meta fiscal é um "sinal horrível" ao mercado. Na avaliação do peemedebista, que anunciou na semana passada seu rompimento oficial com a gestão petista, a alteração na economia que o governo faz para pagar os juros da dívida pode gerar consequências negativas no mercado.
Segundo a colunista Cristiana Lôbo, o Executivo decidiu, diante da crescente queda de arrecadação deste ano, diminuir a meta de superávit de 1,2% do PIB (equivalente a R$ 66,7 bilhões) para, no máximo, 0,2%, índice que deve somar algo em torno de R$ 10 bilhões. Além disso, informou a colunista, deverá ser anunciado um novo corte no Orçamento, entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões.
"O ajuste acaba correndo atrás do mesmo ponto, você corta mais, aumenta receita, aumenta impostos e ao mesmo tempo a arrecadação e você precisa de mais ajuste. Esse é o problema que a gente está vivendo, é um problema que precisa ser resolvido. Só a redução da meta fiscal é um sinal horrível. Agora, se isso for um contexto de situações que você mostre que você está no caminho certo, o mercado deve entender", disse Cunha durante o enterro do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde.