A Polícia Federal reformulou uma regra interna, recém-comunicada dentro da corporação, após delegados alegarem que o procedimento poderia facilitar vazamento de informações. A regra determinava que superintendentes da PF, ao solicitarem policiais de outros estados para reforçar uma operação prestes a ser deflagrada, registrassem o número do inquérito em um sistema que está em fase de testes. Antes, esse pedido era feito sem a necessidade de colocar o número do inquérito no sistema. O ofício com a determinação foi revelado pelo site O Antagonista e confirmado pela TV Globo.
A obrigação de registrar o número do inquérito gerou forte reação dentre da PF. Além do risco de facilitar vazamento de informações, delegados ouvidos reservadamente apontaram outro problema: disseram que, se a regra vigorasse, delegados com "senha master", uma senha mais ampla, poderiam ter acesso até mesmo a inquéritos sob sigilo.
Nos bastidores, os delegados disseram que se preocupavam com a compartimentação das investigações. Compartimentação quer dizer a manutenção de informações de uma investigação restrita a poucas pessoas, não colocá-las em sistemas ou expô-las para um setor inteiro ter acesso. Essa é uma forma de preservar os trabalhos de possíveis vazamentos.
À TV Globo, a PF disse que “a área responsável pelo recrutamento recebeu sugestões de policiais para que fosse preservado o número do inquérito vinculado à operação, o que garantiria mais sigilo e compartimentação. A sugestão foi acolhida e, ainda, ontem [segunda-feira] nova orientação foi enviada ao setor de mobilização".
Segundo a corporação, a regra reformulada agora diz que o delegado pode descrever no sistema “processo sigiloso” ao invés de colocar o número do inquérito, se avaliar que inserir a informação do número pode colocar a investigação sob risco.
Na prática, a nova orientação retira a obrigatoriedade de informar o número, ficando a cargo do delegado responsável pelo inquérito a avaliação da necessidade de incluir a informação no pedido de reforços.
Os mesmos delegados que reclamaram da regra da PF disseram que há um clima de desconfiança em relação ao diretor-geral, Fernando Segovia, dentro da corporação. O motivo são as recentes declarações dele sobre o inquérito que investiga o presidente Michel Temer, conforme publica o portal G1.