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Política

Soraya ajuda Senado a derrubar veto de Bolsonaro e provoca ira do ministro Guedes

20 de agosto 2020 - 17h27 Por Redação Douranews
Soraya ajuda Senado a derrubar veto de Bolsonaro e provoca ira do ministro Guedes Depois de fazer política com a saúde em Dourados, Soraya vota para retirar dinheiro da saúde em Brasília — Divulgação/Assessoria

As senadoras de Mato Grosso do Sul, Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronick (PSL), esta última que se considera aliada de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, ajudaram a imprimir nova derrota para o Governo federal na votação em que o Senado Federal decidiu, nesta quarta-feira (20), derrubar o veto do presidente que impedia a concessão de reajustes a algumas carreiras do funcionalismo público até o fim de 2021.

O tema é uma das bombas fiscais de uma pauta ainda pendente de análise pelo Congresso Nacional. Poucas horas depois da votação, o ministro Paulo Guedes, da Economia, subiu o tom contra os senadores. “Colocamos muito recurso na crise da saúde, e o Senado deu um sinal muito ruim permitindo que justamente recursos que foram para a crise da saúde possam se transformar em aumento de salário. Isso é um péssimo sinal”, afirmou.

Foram 42 votos pela derrubada do veto e 30 votos contrários. O resultado pegou de surpresa não apenas membros do governo, mas alguns senadores que trabalhavam para derrotar o Palácio do Planalto no tema. “Pegar dinheiro de saúde e permitir que se transforme em aumento de salário para o funcionalismo é um crime contra o país”, disse Guedes após encontro com o ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional.

O veto a reajustes de salários de servidores era parte de acordo entre o governo federal e representantes de estados e municípios, como contrapartida para o repasse de R$ 120 bilhões no pacote de socorro para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Os recursos seriam uma espécie de contrapartida para as perdas de arrecadação sofridas pelos entes subnacionais. Com a derrubada do veto, Bolsonaro terá ainda mais dificuldades em cumprir com o teto dos gastos.

Dois discursos

Ao mesmo tempo em que aplica um discurso em visita às bases, como fez em Dourados na semana passada, ao participar de ato político com o primo Mauro, anunciado pré-candidato a prefeito, dizendo que o presidente Bolsonaro conduz o País com austeridade e o ministro Guedes chefia a Economia com sabedoria, a senadora Soraya mostrou, na votação do Congresso, que essa sintonia não existe na prática.

“Jogar para a torcida é fácil, o resultado dessa votação tenta induzir o Governo às famosas ‘pedaladas’ fiscais que ajudaram a derrubar a Dilma e quase derrubaram o Temer, ex-presidentes que passaram por processos de impeachment quando tentaram ajustar as contas colocando dinheiro carimbado na folha de salários. Será que esse é o destino que a nossa base quer para o presidente Bolsonaro?”, ironizou Paulo Guedes, sem esconder a mágoa com o resultado da votação.