Milton Pedreira Junior admite ter encontrado diferença muito grande em relação ao que foi informado — Divulgação/Assessoria
Uma conta que não fecha. Assim pode ser classificada a situação financeira da Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde de Dourados), conforme revelou o DOURANEWS, de posse de documentos resultantes de auditoria interna realizada pelo órgão no final do ano passado, e agora comprovada pelo novo diretor-presidente da Funsaud, Milton Batista Pedreira Junior, que assumiu em janeiro a convite do prefeito Alan Guedes (PP).
Criada em 2014 para administrar a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e o Hospital da Vida, a fundação tem atualmente uma dívida milionária, com um déficit geral de mais de R$ 70 milhões e um saldo negativo mensal de R$ 2,5 milhões, constatou o diretor, ao afirmar que encontrou a Fundação “com vários problemas, salários atrasados, atraso no pagamento de fornecedores e prestadores de serviço, além das dívidas tributárias e precatórios. Até a conta de energia está com parcelamento atrasado”, revela.
Da reunião com membros do Conselho Curador, realizada na primeira quinzena de janeiro, surgiu a proposta de uma auditoria externa para apontar todos os gargalos da Fundação. Apesar de apoiar a ação, o atual diretor lembrou que não há caixa para que esse trabalho seja efetuado, uma vez que uma auditoria privada gera novos custos aos cofres já deficitários. “Eu defendo a auditoria externa e seria até um respaldo para nossa gestão, mas eu não tenho como tirar dinheiro do pagamento de funcionários, por exemplo, para realizar esse serviço”, reforça.
Ao ser questionado sobre a diferença de valores entre o que conseguiu apurar a Equipe de Transição, quando se diagnosticou um déficit da ordem de R$ 35 milhões e a informação agora que indica mais de 100% de diferença, Milton Pedreira ainda tentou minimizar o problema: “Existe realmente uma diferença entre o que foi informado e o que vem sendo apurado, grande parte desta diferença diz respeito a não contabilização de dívidas tributárias ajuizadas, multas, férias vencidas e débitos em fase de precatório”, revelou ao DOURANEWS, mas admitiu que é preciso “aprimorar nosso contrato de gestão em conjunto com as práticas de fiscalização e controle dos contratos vigentes, reestruturar nosso organograma e quadro de pessoal para atingir um cenário sustentável de manutenção das atividades”.
A nova gestão da Funsaud, além de regularizar as pendências mais urgentes, também está fazendo gestões constantes junto a Prefeitura de Dourados e ao Governo do Estado no intuito de encontrar caminhos para resolver as pendências o quanto antes. “Posso garantir que essa nova administração será pautada na transparência e objetividade. Enxugar os gastos é a prioridade. Para isso uma série de ações serão gradativamente implantadas, como readequação de horas extras, reestruturação da equipe, definições de fluxos de trabalho, melhor controle de estoque para evitar desperdícios e redefinições nas normas de fiscalização dos contratos vigentes”, observa Milton Júnior.