Eleitor tem mais uma oportunidade de votar pela mudança — Douranews
A necessidade da presença do eleitor de Dourados, e em geral, das demais regiões do país, às urnas neste domingo (4), em relação à política local, vem sendo historicamente apontada como um fio de esperança para enfrentar os sintomas de descontentamento geral com a gestão pública e o sentimento de abandono da cidade, em boa parte reproduzido pelos próprios governantes locais, também como válvula de escape para as dificuldades de conduzir a administração dos negócios do Município.
Esse sentimento de frustração reflete-se, na maioria das vezes, em comportamentos específicos do eleitorado e nas principais queixas sobre questões básicas, e consideradas por esse mesmo eleitor como obrigações básicas do administrador, como dotar os postos de saúde do roll de medicamentos essenciais, o recapeamento, com tapa-buracos, dos pontos mais críticos, nas ruas do bairro onde mora e a resposta, mesmo que com pedido de mais paciência, ou até negativa, aos pleitos por melhorias.
Contra a omissão do gestor, pós-eleição, muitos eleitores sofrem do que pode se chamar de ‘crise de esperança’, ou a falta dela. “Só voto mesmo porque no Brasil isso ainda é uma questão obrigatória”, relata Iraci Fernandes, moradora da área central, do alto dos quase 80 anos. Mesmo já isenta dessa exigência [no Brasil o voto é obrigatório até aos 70 anos de idade], a dona de casa diz que ainda vai às urnas. “Ainda tenho uma esperança de que alguém desses aí possa fazer alguma coisa pelo menos pros meus netos”, diz.
Em 2022, por exemplo, abstenção [número de eleitores que não foi votar] alcançou 32.200.558, representando 20,59% nas eleições do segundo turno para presidente da República. Lula ganhou com 60.345.999 votos (50,90% dos votos válidos) e Jair Bolsonaro recebeu 58.206.354 votos (49,10% dos votos válidos).
'Colapso'
O sentimento de "colapso" na infraestrutura da cidade, críticas à falta de manutenção urbana e falhas na prestação de serviços básicos geram desgaste contínuo e forte reprovação popular das lideranças, nesse período do ano atingindo mais os chefes do Executivo nacional e estadual, com reflexos indiretos nos apoiadores desses no âmbito municipal, os quais serão observados mais de perto a partir do ano que vem, já com vistas às eleições de 2028 .
O eleitor douradense frequentemente manifesta insatisfação com problemas crônicos que afetam a periferia e as comunidades locais, incluindo o aumento da população em situação de rua na área central, crises de saúde pública (como a epidemia de Chikungunya do começo do ano) e a vulnerabilidade social provocada em parte pela falta de cuidados no seu próprio quintal, como se observou na Reserva Indígena de Dourados, de onde se proliferou para o resto da cidade a onda de arboviroses.