O advogado Felipe Cazuo Azuma, que atua na defesa do ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Dourados, Idenor Machado, nas investigações da operação 'Cifra Negra', disse nesta quarta-feira (29) que "recebeu com perplexidade" a decisão condenatória divulgada pelo site do MPMS, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
"O espanto decorre do fato de que não há nos autos qualquer prova capaz de demonstrar a participação de Idenor Machado em ilícito", sustenta a defesa. "Causa ainda maior perplexidade a circunstância de a condenação abranger, inclusive, fatos atribuídos a período anterior ao exercício, por ele, da Presidência da Câmara Municipal e por licitações feitas também em período anterior".
Azuma diz, em nota, que ele e o cliente demonstram "absoluto respeito ao Poder Judiciário", porém, de direito, manifesta "integral discordância da decisão e informa que adotará imediatamente todas as medidas processuais cabíveis, com a interposição dos recursos pertinentes, confiante em que a condenação será revista pelas instâncias competentes".
No despacho, o juiz Marcelo da Silva Cassavara, da 1ª Vara Criminal de Dourados, condenou Idenor Machado 12 anos, 4 meses e 15 dias de reclusão, além do pagamento de 109 dias-multa, pela prática dos crimes apurados nas investigações de denúncias em torno de um esquema de corrupção, fraude em licitações e desvio de recursos públicos na Câmara Municipal de Dourados.
A justiça entendeu, conforme a decisão, que o grupo atuou de forma organizada em contratações realizadas entre 2010 e 2018 no Poder Legislativo municipal. "Não entendo como me incriminaram desde o ano 2010 se eu assumi [como presidente] em 14 de abril de 2012", reagiu Idenor, procurado pelo Douranews. Ele permaneceu no comando da Mesa Diretora até 2016.
Entre os meses de 2010, a Câmara de Dourados foi presidida pelos vereadores Sidlei Alves, afastado após operação da Polícia Federal, e Dirceu Longhi, que ficou até 2011.
Membros da Mesa na gestão de Idenor Machado (biênio 2015/2016), como Cirilo Ramão vice-presidente, Dirceu Longhi 1º secretário e Pedro Pepa 2º secretário foram absolvidos na decisão do juiz Cassavara. No biênio 2017/2018, inclusive, quando Idenor nem fazia parte mais da Mesa, Cirilo e Pepa eram, respectivamente, primeiro e segundo secretários.
O advogado Felipe Azuma vê, no mínimo, "incongruências" na decisão judicial, porque, "se os pagamentos do chamado esquema eram feitos pra Mesa Diretora, como que quem fazia parte da Mesa não foi condenado?", indaga.
Outros
Também foram condenados, na decisão do juiz, o ex-assessor de Idenor Machado, Alexsandro Oliveira, o 'Alex', a pena de 15,8 anos em regime fechado; Denis da Maia e Jailson Coutinho (7 anos em regime inicial fechado); Patrícia Guirandelli (7 anos, em semiaberto); Franciele Aparecida (6,4 anos, em semiaberto); Karina Alves (6,3 anos em semiaberto); Alexandre Zamboni (2,3 anos, regime aberto) e Uglaybe Fernadnes (2,7 anos, regime aberto).


Mesa Diretora 2015/16: Dirceu, Pepa, Idenor e Cirilo - (Foto: Douranews/Arquivo)




