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Mais segurança na anestesia geral

02 de junho 2011 - 22h24 Por Redação Douranews, com Agência Estado
Mais segurança na anestesia geral
A segurança dos pacientes é a principal preocupação dentro das salas de cirurgia. Entre as iniciativas direcionadas ao tema, está o Desafio Global para a Segurança do Paciente: Cirurgias Seguras Salvam Vidas, da Organização Mundial da Saúde (OMS). O principal objetivo do manual é melhorar a segurança da assistência cirúrgica por meio de padrões que possam ser aplicados em todos os países. Segundo o manual, uma das quatro áreas nas quais progressos significativos podem ser feitos para atingir essa meta é a anestesia segura.

A importância do assunto é referendada pelos números. De acordo com o documento da OMS, estima-se que, a cada ano, sejam realizadas 234 milhões de cirurgias.

As complicações durante a anestesia diminuíram muito nos últimos anos, em virtude do aumento dos padrões de segurança nos centros cirúrgicos e do avanço na síntese de fármacos mais seguros e na tecnologia dos equipamentos de monitoramento e de respiração artificial. Em três décadas, a chance de morte durante uma anestesia geral caiu de 1 em 5 mil para 1 em 200 mil.

Um dos fatores que devem contribuir ainda mais para garantir a segurança de pacientes, é a chegada ao mercado do medicamento sugamadex sódico, considerado pelos anestesiologistas a maior inovação da área nos últimos 20 anos. O fármaco reverte o efeito de relaxantes musculares (rocurônio e vecurônio), substâncias usadas na anestesia geral para paralisar os músculos do paciente durante a cirurgia, condição essencial para que o cirurgião realize o procedimento cirúrgico com segurança. Essa reversão ocorre em até três minutos, aproximadamente seis vezes mais rápido e sem os efeitos colaterais do que as drogas disponíveis até então. O medicamento também é o único que pode ser utilizado na reversão do bloqueio neuromuscular profundo, necessário em cirurgias como as de crânio e de olho, nas quais qualquer movimento pode colocar o paciente em risco.

Seu mecanismo de ação também é outro destaque: cada molécula do sugamadex sódico encapsula uma molécula do relaxante muscular, por meio de uma ligação química estável. Esse complexo é eliminado rapidamente, proporcionando que o paciente retome suas funções musculares e possa voltar a respirar espontaneamente mais cedo.

A grande relevância de a recuperação ser rápida é a possibilidade de diminuir a incidência de importantes efeitos colaterais, denominados como paralisia residual, decorrentes da presença de resíduos do relaxante muscular ao término da cirurgia. Os músculos do pescoço envolvidos na respiração e na deglutição são muito sensíveis aos efeitos dos relaxantes musculares, assim mesmo que o paciente tenha capacidade de respirar espontaneamente, pode não conseguir tossir ou deglutir adequadamente o que pode resultar em sérios problemas respiratórios.

Recentemente outra grave complicação da paralisia residual tem sido descrita. É a Síndrome de Takotsubo, conhecida também como síndrome do coração partido, que é uma cardiopatia induzida por um estresse muito grande e tem sintomas e quadro parecidos com o enfarte. Esse estresse no pós-operatório imediato resulta da combinação da completa recuperação da consciência aliada à incompleta recuperação das funções motoras.

Acredito que o sugamadex sódico, com seu conceito revolucionário, é uma importante ferramenta para auxiliar o gerenciamento do relaxamento muscular durante a anestesia, o que certamente gera mais segurança para o paciente e tranquilidade para o anestesiologista.