Sem conseguir negociar com a Prefeitura de Dourados para aumentar o repasse, o Hospital da Vida vai parar, novamente, as atividades. A paralisação parcial acontece amanhã (5) e quarta-feira (6) com o objetivo de chamar a atenção das autoridades e da população para a falta de estrutura do hospital, o que tem gerado transtornos e acúmulo de pacientes “internados” em corredores.
De acordo com uma investigação feita pelo MPF (Ministério Público Federal), Dourados possui 55 leitos de internação para a macroregião da cidade que comporta cerca de 770 mil habitantes. Os dados apontam que o hospital não possui estrutura para atender a demanda.
Por esta razão, os médicos repetem os mesmos procedimentos da paralisação do último dia 22 de maio. Os serviços emergenciais vão continuar a serem prestados normalmente, pois como destacou o chefe do corpo clínico do Hospital Evangélico, Luiz Carlos Arruda Leme, o objetivo do “dia de alerta” não é prejudicar a população.
“A paralisação será nos mesmos moldes do que aconteceu no mês passado. Até agora não houve nenhum avanço nas negociações, por isso vamos dobrar o ‘alerta’. Na verdade nem houve negociação e ninguém da Prefeitura veio até nós para conversar”, explica Arruda.
A secretária municipal de saúde, Silvia Bosso, não quis se pronunciar sobre os dois dias de alerta, pois, segundo ela, não foi comunicada oficialmente. “Só falo depois que o diretor [Maurício Peralta] do Evangélico falar. Não estou sabendo de paralisação e se o Hospital não se pronuncia, são omissos, então não declaro nada”, disse hoje (4) ao Douranews.
O diretor do Hospital Evangélico, Maurício Peralta, também não quis dar detalhes sobre o impasse com a Prefeitura, nem sobre uma possível quebra de contrato. De acordo com ele, o chefe do corpo clínico, Dr. Arruda, é o responsável por dar declarações sobre a nova paralisação.
No mês passado, o chefe do corpo clínico já havia dito ao Douranews se tornou uma “atividade arriscada” trabalhar no Hospital da Vida. “Estamos enfrentando uma situação muito ruim. Se o médico faz o serviço direitinho e o paciente vai embora para casa, curado, não fizemos mais do que a obrigação, mas quando acontece algum problema, somos os vilões. E ao gestor público nada acontece”, afirma.