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Números apresentados pela Santa Casa são estarrecedores, diz CPI

12 de junho 2013 - 18h30 Por Redação Douranews
Números apresentados pela Santa Casa são estarrecedores, diz CPI

Os deputados que integram a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde em Mato Grosso do Sul já solicitaram ao presidente da Santa Casa, Wilson Teslenco, os dados apresentados por ele durante depoimento prestado na segunda-feira (10), quando, pelas informações prestadas, ficou evidente o superfaturamento na compra de alguns medicamentos, redução de leitos hospitalares e contratação de mais funcionários sem necessidade. A dívida da entidade, que era de R$ 47 milhões antes da intervenção, hoje supera R$ 160 milhões.

Somente no último ano foram R$ 80 milhões em dívidas adquiridas pela Junta Interventora, conforme demonstrou o presidente da instituição.

De acordo com o presidente da CPI da Saúde em MS, deputado estadual Amarildo Cruz (PT), com essa documentação em mãos os parlamentares poderão analisar a real situação em que se encontra a Santa Casa de Campo Grande, o maior hospital do Estado. “O presidente da Santa Casa já nos sinalizou a entrega dessas informações, que serão fundamentais para o nosso trabalho de investigação. O que foi dito por ele na primeira reunião da CPI é estarrecedor”, destacou.

Wilson Teslenco disse que quando a Santa Casa era comandada pela ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande) eram 15 empresas terceirizadas e que quando a Junta Interventora entregou o controle da administração o número totalizava 100 empresas.

De acordo com Wilson Teslenco, a Junta Interventora reduziu os serviços prestados e aumentou a dívida da Santa Casa. Como exemplo, o presidente citou aos deputados que as internações, em 2004, somavam 34 mil; em 2005, 26 mil e em 2012, 27,7 mil. Os atendimentos de urgência e emergência passaram de 152 mil (2004) para 95 mil (2005) e para 116 mil, em 2012. As cirurgias decaíram de 22 mil (2004) para 17 mil (2005) e os leitos de 750 (2004) para 450 (2005) e 630 (2012).

O presidente da Santa Casa destacou também que a intervenção da Junta Administrativa da Santa Casa foi orquestrada durante anos. “Antes da intervenção a Santa Casa tinha 750 leitos disponíveis ao SUS. Depois da intervenção, houve uma redução para 630 leitos. O pronto-socorro chegou a fechar por uma semana. Neste período não houve investimento em nenhum leito. Ao longo desses anos a direção não estava voltada para o futuro do hospital, apenas uma reposta imediata para a saúde. Essa é a herança que a ABCG recebeu da Junta Interventora. Temos que começar a construir do zero. Agora estamos nesse impasse, com uma dívida de R$ 112 milhões com fornecedores e tributos e 460 ações que tramitam na vara civil e trabalhista, totalizando uma dívida superior a R$ 160 milhões”, salientou.

Wilson Teslenco frisou que uma auditoria está sendo realizada pela nova administração e irregularidades já foram encontradas. “Estamos apurando, temos auditores que estão assumindo agora e investigando uma série de situações. Temos que ter cuidado para apurar de forma correta e objetiva. Precisamos proteger as pessoas que são inocentes, separar o erro de uma ilegalidade, e distinguir para não cometer injustiças. No último dia da intervenção foi autorizada a compra de medicamentos que o consumo no trimestre representava R$ 46 mil. No último dia se trocou a marca do medicamento por outra que custava R$ 500 mil. Uma parte já havia sido entregue, mas a outra conseguimos suspender e salvar R$ 1.6 milhão”, explicou.

Wilson Teslenco destacou que a atual gestão trabalha hoje com o objetivo de reduzir os gastos da entidade. “A relação contratual precisa ser reestabelecida. Os donos da Santa Casa são os campograndenses. A solução não é só aumentar a receita. A Santa Casa tem como reduzir seu custeio, quer seja pela readequação dos contratos, ou reduzindo o número de colaboradores. Hoje trabalhamos no sentido de aumentar a ampliação de convênios com planos particulares. O sucesso de qualquer negócio é fazer muito com pouco. Temos um seleto time para nos ajudar a fazer uma gestão séria. Não iremos tolerar sermos usados pelo poder público para remendar as falhas de Campo Grande e do Estado de Mato Grosso do Sul. Em outubro do ano passado a direção chegou ao ponto de não efetuar o pagamento dos funcionários e fornecedores”, comentou.

Ainda de acordo com o presidente da Santa Casa, a CPI da Saúde em Mato Grosso do Sul vai ajudar a população a entender melhor como funciona o setor da saúde no Estado. “De uma forma democrática e transparente, a CPI vai passar a limpo uma situação que tem gerado angústias, sofrimentos e mortes em Campo Grande e Mato Grosso do Sul, tudo isso por descaminhos e falta de informações e transparência. A sociedade não pode perder essa oportunidade”, finalizou.