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Hospital da Vida ‘vive na UTI’ entre troca de nomes e mortes nos corredores

13 de outubro 2013 - 12h20 Por Redação Douranews
Hospital da Vida ‘vive na UTI’ entre troca de nomes e mortes nos corredores

Se a Saúde de Dourados, como de resto no País, é um dos gargalos para os administradores municipais, a situação do atual HV (Hospital da Vida) então, é emblemática e misteriosa. Desde que foi ‘hospital da OMS’ [porque contou com recursos da Organização Mundial de Saúde para ser implantado], a unidade já enfrenta essa situação.

Os beneméritos da criação do novo hospital, que chegou a ser referência em atendimento regional, na verdade não existem. Depois que se descobriu que Saúde era um ‘bom negócio’, principalmente para se pleitear recursos federais, os governantes aprenderam também que a cada mudança de nome era possível ‘carimbar’ dinheiro novo que, na verdade, nunca chegou para os pacientes dos corredores do hospital.

É por isso que desde 2007 existem recursos, superiores a R$ 2 milhões, empenhados junto ao Governo Federal, que deveriam ser aplicados na reforma do hospital, que durante as gestões passadas já se chamou Hospital Regional, de Trauma e Urgência e, por último, da Vida. As placas no local ainda confundem os desavisados.

Enquanto isso, fala-se em uma pendência jurídica que envolveria, inclusive, um certo benemérito da Saúde no Estado, que teria doado alguns milhões de dólares para a implantação da um hospital especializado no tratamento do câncer em Campo Grande, mas não estaria nenhum pouco interessado em liberar o inventário da área do HV para que os recursos possam ser alocados.

O deputado federal Geraldo Resende se apresenta como paladino dessa causa junto ao Ministério da Saúde, anunciando que conseguiu resolver o impasse que vinha dificultando a liberação de recursos federais para a revitalização do Hospital da Vida, em Dourados. “A instituição agora está apta a receber os recursos da ordem de R$ 2 milhões, garantidos desde 2007, para melhorias como a construção do setor pediátrico e ampliação do número de leitos”, propagandeia o médico-político.

De repente, segundo a assessoria do deputado, o impasse não existe mais e o Ministério da Saúde “abriu mão da exigência de que o Estado doasse a área em caráter irrevogável para o Município” para autorizar a aplicação dos recursos. Aos R$ 2.090 milhões anunciados por Resende, o governador André Puccinelli e o prefeito Murilo Zauith anunciam recursos adicionais de R$ 1,2 milhão para as obras de reforma e ampliação do hospital. Para quando?

O secretário municipal de Saúde acredita que com mais 40 leitos seria possível resolver boa parte do problema das filas no atendimento e eliminar as macas nos corredores. Semanalmente são contabilizados casos de pacientes que morrem antes de terem a chance de ‘participar do sorteio’ de um quarto que venha a ser desocupado.

O Hospital da Vida, hoje sob a responsabilidade do HE (Hospital Evangélico), que lhe empresta o suporte legal de funcionamento, atende à população de mais de 30 municípios, realizando, em média, 500 internações e seis mil atendimentos mensais. Sobrevive à troca de nomes e mortes nos corredores.