“O mais importante não é a corrida em si, não é quem vai chegar primeiro. O importante é a mensagem que será levada para as ‘guerreiras’, para aquelas mulheres que já tiveram o câncer para que continuem motivadas e com determinação para lutar contra o câncer de mama”.
A afirmação sobre a Corrida Rosa que será realizada pela Prefeitura de Dourados é de Cleuza de Fátima Scopel Zornitta, de 47 anos, empresária do ramo de peças e manutenção automotiva, e maratonista que descobriu o câncer de mama em agosto do ano passado. A corrida de Dourados será realizada domingo (19), com largada às 8 horas, na praça Antônio João.
Nos preparativos para correr a MIA (Maratona Internacional de Assunção), Cleuza procurou uma nutróloga. A profissional percebeu uma deficiência nutricional e lhe encaminhou para uma médica que indicou os exames de rotina. Foi quando descobriu que estava com câncer.
“Eu estava relaxada, há dois anos e meio não fazia os exames. Ainda assim descobri cedo. O diagnóstico precoce dá mais chances de cura, porque isso hoje incentivo as mulheres a realizar periodicamente os exames preventivos”, ressaltou. Ela já passou por duas cirurgias para a retirada do tumor, 30 sessões de radioterapia e atualmente toma remédio oral, tratamento no qual deve permanecer por, pelo menos, mais cinco anos, afirma.
“Não posso falar a palavra cura ainda porque estou em tratamento. Mas, hoje posso continuar a correr como fazia antes e participar de maratonas”, destacou. Ela já foi este ano a competições no Chile, Assunção, Foz do Iguaçu e se prepara para correr a São Silvestre.
“Os médicos afirmam que o exercício físico afasta em 5% a probabilidade de reincidência, ou seja, de quem já teve câncer ter de novo. Hoje para mim, correr não é só um prazer, mas um tratamento que eu faço e recomendo”, disse. Controlar a autoestima e as emoções é parte importante no tratamento contra a doença, segundo os médicos.
Segundo a empresária, a realização da Corrida Rosa visa a cuidar da população. “Não é a competição em si, mas a soma de esforços e a sinergia que se forma quando pessoas com interesses iguais e problemas parecidos se reunem para dar apoio e lutar uma junto com a outra”, ressaltou, lembrando que outras mulheres que superaram o câncer ou estão em tratamento se preparam para participar da corrida.
“Essa história de que câncer não tem cura já era. É claro que os casos existem, mas não vamos trabalhar com essa possibilidade. Queremos levar a mensagem do diagnóstico precoce que aumenta a chance de cura e acreditamos que essa Corrida será o grande alerta para que as mulheres façam os exames periódicos e para que as guerreiras que lutam contra a doença, se sintam ainda mais fortes”, ressaltou.