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Ministério da Saúde suspende aplicação de vacina da dengue do Butantan

Medida cautelar segue 42 casos de reações adversas graves, incluindo 3 internações e 2 óbitos; eficácia do imunizante é reafirmada.

10 junho 2026 - 10h05Por Agência Brasil

O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida preventiva foi adotada após o registro de 42 pessoas que apresentaram sintomas graves depois de receberem o imunizante, sendo que três delas necessitaram de internação e duas vieram a óbito. Os casos de reação adversa e os falecimentos estão sob investigação para determinar uma possível relação causal com a vacinação.

Apesar da suspensão, a pasta federal reforça que a decisão é uma medida de precaução e que os indivíduos já vacinados permanecem protegidos contra a doença. Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, destacou que a vacina possui eficácia comprovada, prevenindo 65% das ocorrências de dengue e mais de 80% dos casos graves da doença e de hospitalização.

O diretor explicou que pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias encontram-se no período de viremia vacinal, fase em que há presença da forma enfraquecida do vírus da dengue no sangue. Durante este intervalo, o imunizante "imita" a infecção de forma controlada para que o organismo desenvolva anticorpos. Dessa forma, é fundamental que aqueles dentro desse prazo fiquem atentos a sintomas semelhantes aos da dengue e procurem atendimento médico. Já os vacinados há mais de 21 dias não necessitam de assistência médica, pois estão fora de qualquer risco e plenamente protegidos.

Até o dia 30 de maio, mais de 501 mil pessoas já haviam sido vacinadas com o imunizante, incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano. A implantação inicial abrangeu populações de três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), direcionando a adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, público-alvo aprovado para o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Além disso, em fevereiro, profissionais de saúde da atenção primária começaram a ser vacinados, e em março, uma ação de vacinação foi realizada na região de Araguaína (TO).

Antes de sua inclusão no SUS, a vacina passou por um rigoroso processo de avaliação e aprovação no país. Na fase de testes, mais de 11 mil pessoas foram vacinadas e monitoradas por um período de até cinco anos, garantindo a segurança e eficácia do imunizante antes de sua autorização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A investigação em curso é crucial para validar a segurança pós-comercialização e a relação dos eventos adversos com o fármaco.