Pesquisadores, professores universitários, técnicos da assistência rural e produtores rurais se reuniram nos dias 19 e 20 passado, no Sebrae, em Dourados, para discutir modelos de produção sustentáveis baseados no uso de plantas vivas como cobertura do solo, em substituição ou complementação à tradicional palhada. O debate ocorreu durante o “Workshop Modelos de Produção Disruptivos”, com apoio do Sebrae e da Cocamar.
A programação reuniu estudos de caso e tecnologias voltadas principalmente às culturas de milho, soja e cana-de-açúcar. Entre as experiências apresentadas, tecnologias da Embrapa como o Sistema Antecipasto e o Sistema Antecipe; Sistemas Mirai e Bonsai apresentados pelo Shunji Hisaeda, engenheiro-agrônomo e sócio-administrador da Sementes Mirai (Nova Mutum, MT); e a Aliança SIPA (Sistemas Integrados de Produção Agropecuária) apresentada pelo professor Paulo César de Faccio Carvalho, da Universidade Federal do Rio Grande Do Sul (UFRGS), de Porto Alegre.
Ao longo dos dois dias, os participantes destacaram que a adoção de sistemas com plantas vivas exige pesquisas e validações adaptadas às diferentes condições de solo, clima e produção, além da integração entre instituições de pesquisa, de ensino e setor produtivo.
A abertura do evento foi realizada pelo chefe-geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Harley Nonato de Oliveira, que destacou que “nenhuma IA substitui o intercâmbio ao vivo, para reunir conhecimentos valiosos e prospectarmos novas demandas para a pesquisa e encontrar soluções para gargalos”, disse.
Segundo o pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia, presidente do Portfólio Sistemas de Produção Sustentáveis e Resilientes (Prosur) da Embrapa, o tema ‘Modelos de Produção Disruptivos’ atende ao princípio do Sistema Plantio Direto, que consiste em manter o solo protegido durante todo o ano, mas também que “a proposta dos consórcios e cobertura contínua com espécies verdes pode ter maior potencial na intensificação da atividade biológica do solo e na eficiência de utilização dos recursos de produção, agregando maior sustentabilidade no sistema produtivo”.
Para o pesquisador idealizador do Workshop, Luís Armando Zago Machado, da Embrapa Agropecuária Oeste, o manejo das coberturas verdes precisa considerar as particularidades de cada ambiente e os diferentes estágios de desenvolvimento das tecnologias. “Cada tema está em um estágio diferente de maturação. É um desafio grande e temos muito trabalho pela frente”, avaliou. Entre os pontos que precisam ser aprofundados estão o manejo de materiais antes e depois do plantio da cultura, o pastejo, o controle químico, a análise econômica dos modelos e a definição de metodologias capazes de quantificar e padronizar as variáveis dos sistemas.
Segundo o pesquisador, parte do trabalho precisa apresentar resultados no curto prazo para viabilizar a adoção das tecnologias, enquanto pesquisas de longo prazo também são fundamentais para consolidar o conhecimento. Zago também salientou que novas formas de levar as tecnologias ao campo já estão sendo discutidas. Na avaliação dele, aquilo que já apresenta resultados e está pronto para ser utilizado deve avançar para a aplicação prática, enquanto o conceito de plantio sobre plantas vivas precisa continuar sendo trabalhado e aperfeiçoado.


Harley Nonato abriu workshop em Dourados - (Foto: Assessoria)




