Em janeiro, o Índice de Captação de Leite calculado pelo Cepea (ICAP-Leite) registrou queda de 2,8% frente a dezembro. Houve diminuição nos seis estados pesquisados (Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia). Além de ter faltado chuva e feito muito calor, os custos de produção de leite, especialmente do concentrado, aumentaram, o que limita investimentos dos produtores. Em relação a janeiro do ano passado, o ICAP-Leite teve queda de 1,1%.
Em Goiás, a queda na captação atingiu expressivos 8% no comparativo com dezembro. Em Minas Gerais, o índice recuou quase 4% em janeiro. Em algumas regiões desse estado, por exemplo, verificou-se a ocorrência do veranico, com falta de chuvas por mais de 30 dias. No Rio Grande do Sul, a queda foi de 2,9% entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011. Desde setembro de 2010, quando ocorreu o pico de captação naquele estado, a redução no volume médio de leite captado diariamente é de 16%. Em São Paulo e no Paraná, as reduções no ICAP-Leite foram mais amenas, de 1,5% e 0,3%, respectivamente.
Segundo o Cepea, com a menor oferta e o consumo interno aquecido, o preço do leite pago aos produtores em fevereiro (referente à produção entregue em janeiro) teve aumento de 1,1% frente a janeiro, com média de R$ 0,7371 o litro. O recuo aumentou a disputa entre os laticínios, valorizando o leite na maioria das regiões pesquisadas pelo Cepea. Em relação a fevereiro de 2010, a média bruta teve alta de 19,2%, sem descontar a inflação.
Em fevereiro, houve alta também de preços no mercado spot e recuperação do leite UHT e do queijo muçarela. Além disso, a expectativa é de aumento do consumo de lácteos após o período de carnaval. Assim, os fundamentos do mercado são altistas, o que pode sustentar o preço pago ao produtor nos próximos meses.
Alta nos estados
A maior elevação do preço médio pago aos produtores em fevereiro ocorreu novamente no Rio Grande do Sul, de 2% (ou 1,4 centavo por litro) frente a janeiro, com média de R$ 0,6954 o litro. Nos outros estados do Sul, os valores permaneceram relativamente estáveis: em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 0, 7543 o litro, leve alta de 0,4% frente a janeiro, e no Paraná houve ligeiro recuo de 0,52%, com média de R$ 0,7513 o litro.
Em Goiás, devido à queda mais significativa na captação de leite, o preço médio aumentou 1,6% (1,2 centavo por litro) em relação ao de janeiro, com média de R$ 0, 7518 o litro. Em Minas Gerais, a alta foi de 1% (0,7 centavo por litro), a R$ 0,7285 o litro, e no estado paulista, o preço médio foi de R$ 0,7761 o litro, alta de 1,1% (0,8 centavo por litro). Na Bahia, houve queda de quase 1% (0,6 centavo por litro), a R$ 0,6312 o litro.