Representantes de comunidades indígenas, do Ministério Público Federal (MPF) e da Fundação Nacional do Índio (Funai), proprietários rurais e diretoria da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) discutem agora o que fazer para conter a invasão de propriedades no município de Sidrolândia, no Sul do Estado. Na terça-feira (10), um grupo de índios terenas invadiu a propriedade do espólio de Rachid Bacha, na mesma região onde aconteceram outras invasões em anos anteriores.
A Famasul alerta para a insegurança que ronda o município. “Ao dialogar com Funai, Ministério Público e indígenas, a Famasul quer apressar uma solução que seja razoável para todos os envolvidos e que devolva ao produtor o seu direito de propriedade, um direito garantido por lei a todo o cidadão”, afirma o presidente Eduardo Riedel.
O procurador da República Emerson Kalif Siqueira afirmou que vai até a fazenda invadida conversar com os indígenas. “Sei que vai ser uma conversa tensa, mas prefiro ir sozinho. Quero saber se o Ministério Público pode ajudar”, disse. Entre os proprietários presentes na reunião estava Maria de Lurdes Lopes Bacha, que teve a fazenda invadida no ano passado pelo mesmo grupo. “Quebraram portas, janelas, azulejos, destruíram tudo. Perdi até meus pertences pessoas, como roupas e panelas”, lamentou.
O membro do Conselho Estadual dos Direitos Indígenas e vice-cacique da Aldeia Córrego do Meio, Vinícius Jorge, admitiu que as invasões são feitas para pressionar atitudes de órgãos como a Funai com uma solução para o impasse jurídico na região. “Nós queremos tomar posse das áreas que consideramos nossas. Mas para isso é preciso que haja a indenização”, defendeu.
O chefe de monitoramento ambiental e territorial da Funai, Ricardo Araújo, disse que o órgão vai dar continuidade aos procedimentos administrativos para as desapropriações. “Vamos verificar valores das benfeitorias e seguir com os trâmites, dentro do que determina a lei”, especificou. “Mas é preciso deixar claro que a Funai não concorda com invasões e defende o respeito às decisões previstas em lei”.