Durante quase um mês os fiscais do Incra percorreram os assentamentos na região de Ponta Porã, extremo sul do estado. Com o processo de cada lote em mãos, os fiscais checavam toda a documentação da propriedade.
O levantamento foi uma determinação da Justiça, depois de uma operação realizada no ano passado, que colocou na cadeia 20 suspeitos de participarem de um esquema de venda irregular de lotes. Entre os presos estava o até então superintendente do Incra no estado, Valdir Cipriano Nascimento.
No total, 69 assentamentos de Mato Grosso do Sul, serão fiscalizados pelo Incra. Na primeira etapa, os fiscais do instituto vistoriaram oito assentamentos só na região de Ponta Porã. Dos 3.500 lotes, o levantamento apontou irregularidades em 20% deles.
No assentamento Itamaraty, considerado o maior do Brasil, com cerca de 50 mil hectares, foram constatados três tipos de irregularidades: o abandono da terra, a comercialização de lotes sem o conhecimento do Incra e o arrendamento de parte da área para outros produtores.
O Incra admite ter dificuldades para manter a fiscalização e o controle na distribuição dos lotes em assentamentos do estado. Segundo José Osmar Bentinho, coordenador do levantamento, o instituto está trabalhando para organizar o sistema e promete mais rigor daqui para frente. “Agora nós estamos nos desdobrando, porque o Incra ficou um bom tempo omisso nessas ações. Agora, através do pedido do Ministério Público Federal e pela determinação da Justiça Federal, nós estamos desencadeando essa ação”.
A previsão do Incra é vistoriar, até julho, todos os assentamentos de Mato Grosso do Sul.