"Nosso número inicial da safra brasileira era otimista... O que nos fez projetar um potencial de safra entre 74 a 75 milhões de toneladas. Hoje consideramos um potencial de perdas nos Estados de Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e sul de Mato Grosso do Sul de 6 milhões de toneladas", disse a corretora Andrea Cordeiro, da Labhoro, com sede no Paraná.
Tal projeção reduziria a safra nacional para 68-69 milhões de toneladas, contra 75,3 milhões de toneladas oficialmente estimadas para a temporada anterior, quando o Brasil teve a sua maior produção da história.
"O potencial de perdas aumenta à medida que as chuvas não vêm. E se não chover corretamente nos próximos 15 dias a safra pode cair para até 65 milhões de toneladas", acrescentou.
Algumas áreas dos Estados atingidos pela seca podem ser beneficiadas por precipitações previstas para os próximos dias no Sul do Brasil. Mas a corretora disse que "em vários pontos, especialmente onde foram cultivadas variedades precoces, as chuvas não revertem as perdas".
A corretora avalia que os números de perdas apontados pelos órgãos oficiais são conservadores. Na quinta-feira, a Secretaria de Agricultura do Paraná, o Estado onde a soja foi mais atingida até o momento, reduziu o potencial de produção da oleaginosa em 1,4 milhão de toneladas.
Os governos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina estimaram uma redução total de 800 mil toneladas, o que somado com o Paraná daria uma quebra de 2,2 milhões de toneladas para a soja. Em Mato Grosso do Sul (Centro-Oeste), a federação da agricultura local (Famasul) fala preliminarmente em perda de cerca de 400 mil toneladas.