Os dirigentes, pesquisadores e analistas da Embrapa Agropecuária Oeste participaram, entre os dias 6 e 8 de março, do "Seminário para Avaliação do IV Plano Diretor da Unidade (PDU) e Estabelecimento de Agendas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e de Transferência de Tecnologia (TT) da Embrapa Agropecuária Oeste", em Dourados. As informações são da assessoria de comunicação da unidade.
No evento, foi realizada uma avaliação crítica das programações de P&D e TT da Embrapa Agropecuária Oeste, Unidade da Embrapa vinculada ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), levando em conta o IV PDU, a carteira de projetos de pesquisa e as informações apresentadas pelos palestrantes do evento.
Também foram realizadas reuniões em grupos de análise estratégica, com a utilização da ferramenta de planejamento SWOT. "A Análise SWOT é uma ferramenta estrutural utilizada na análise do ambiente interno, para a formulação de estratégias. Permite identificar as forças e fraquezas, estabelecendo ainda as oportunidades e ameaças externas para a Unidade", como explicou o chefe geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Fernando Mendes Lamas.
Todas essas informações e dados servirão de subsídio para estabelecer a agenda de P&D e TT da Embrapa Agropecuária Oeste para o biênio 2012-2013, que será consolidado dando origem ao V PDU da Unidade. Lamas explica ainda que as rápidas mudanças e transformações vividas pela sociedade em geral demandaram da Embrapa a elaboração do Plano Diretor com diretrizes para período bianuais e não mais para quatro anos, como acontecia anteriormente. "Precisamos exercitar nossas habilidades no sentido de manter esse documento constantemente atualizado", destacou.
Palestras
A palestra de abertura do evento, realizada na terça-feira (6) foi do professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Antonio Virgilio Bittecourt Bastos. Ele falou sobre o comprometimento como fator de sucesso da organização e enfatizou que as lideranças desempenham fator chave para o comprometimento da equipe, estabelecendo mecanismos e ferramentas que promovam na equipe a congruência entre o dizer (identificação e afeto) e o fazer (engajamento, realização e ação).

Ex-diretor da empresa, Silvio Crestana e o ex-minsitro Alysson Paolinelli, durante evento
A segunda palestra foi do presidente da Abramilho e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Alysson Paolinelli. Ele participou da criação da Embrapa, enquanto ministro, e devido à sua experiência, apresentou uma contextualização histórica relacionada à criação da Embrapa e seu desenvolvimento ao longo dos últimos 35 anos. Entusiasta da instituição, Paolinelli destacou que "os produtores são os grandes aliados da Embrapa e precisam conhecer as necessidades da instituição, participar das suas transformações e contribuir com as conquistas da empresa, inclusive dividindo seus méritos", disse.
O pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária (São Carlos/SP) e ex-diretor presidente da empresa, Silvio Crestana, falou aos participantes sobre o cenário agrícola brasileiro num horizonte até 2020 e disse que o preço dos alimentos não vai diminuir na próxima década, apesar do aumento da capacidade produtiva do setor. Segundo ele, as necessidades de alimentos produzidas no Brasil serão para fins de alimentação mundial, pois até 2020 haverá crescimento de 62% na demanda. "Anualmente temos um incremento de 80 milhões de pessoas no mundo", informou. Além disso, a questão do aumento elevado do consumo energético gera uma pressão sobre as áreas de produção, que irá impactar o preço dos alimentos. Crestana falou ainda dos impactos das mudanças climáticas, da taxa de perda da biodiversidade, do uso dos recursos hídricos e agroquímicos.
Já o cenário agrícola para Mato Grosso do Sul foi apresentado pela secretária estadual do Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria e do Turismo Tereza Cristina Corrêa Costa Dias. O Estado possui 2,4 milhões de habitantes e o agronegócio sul-mato-grossense é responsável por 86% das exportações estaduais, lembrou ela ao detalhar os investimentos feitos em pesquisas de zoneamento climático, florestas, bionergia, piscicultura, tratamento de dejetos de suínos e bovinos, e sobre a necessidade de o Estado dispor de mais especialistas para desenvolverem pesquisas com bovinocultura de leite e seringueiras. "O mercado de seringueiras está se instalando com quase 2 milhões de pés plantados no Estado", informou.
Com relação à visão do setor cooperativista sobre o cenário agrícola, o gerente-geral da Assistência Técnica da Coamo Agroindustrial Cooperativa, Nei Leocádio Cesconetto, explanou sobre a cooperativa, nascida em 1970. Atualmente, possui mais de 24 mil cooperados nos estados do Paraná, de Santa Catarina e de Mato Grosso do Sul. Cesconetto afirmou que a decisão de instalar a cooperativa em Mato Grosso do Sul, em 2003, se deu devido à presença da Embrapa no Estado.
Macrodesafios
O diretor-executivo de P&D da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, abordou temas considerados como macrodesafios e que devem nortear as ações da Embrapa: energia, água, alimento, ambiente e pobreza. "Precisamos enfrentar os desafios com sistemas de inteligência sofisticados para a agricultura brasileira", afirmou.
Atualmente, além de abastecer o mercado interno, 30% do que se produz vai para mais de 200 mercados ao redor do mundo. E a agricultura nacional possui uma matriz energética limpa, em que 47,3% da energia produzida é de fonte renovável. Uma das formas de superação de riscos climáticos e de emissão de gases de efeito estufa é o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono).
Lopes destacou também um paradigma emergente: a Economia Verde, em que a criação de conceito e estratégias pode colaborar para a prosperidade econômica e melhoria ambiental e gerar crescimento econômico e social