Exigência de mercado, organização e gerenciamento de criação. Esses foram os temas debatidos em quatro palestras durante o 5º Simpósio de Ovinocultura realizado ontem (16), na parte da manhã, pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Sindicato Rural de Dourados e pela Embrapa Agropecuária Oeste.
Com o objetivo de proporcionar uma visão sistemática e estratégica aos produtores rurais, alunos e técnicos, o veterinário e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), de Curitiba/PR, Marcelo Beltrão Molento, falou sobre gestão da verminose. “Há uma necessidade de controle de parasitores muito grande, mas o produtor precisa entender que é necessário aliar o controle ao manejo da propriedade ”, disse Molento.
Os erros mais comuns praticados pelo produtor, apontados pelo veterinário, são o tratamento em 100% dos animais, a alternância rápida de drogas, adquirir animais com parasitas RR, tratar animais em épocas erradas, ausência de outros métodos de controle. “Não sou contra o medicamento antiparasitário, mas é necessário que o produtor entenda que essa não é a única ferramenta.”
Para saber quais animais têm baixa carga parasitária e outros com alta carga, e aqueles que suportam mais a parasitose e quais são suscetíveis, é preciso adotar um sistema de avaliação clínico, laboratorial e, quando possível, necropsia animal. “Quando se adota práticas de manejo diferenciadas, as portas do mercado se abrem”, disse o professor.
Marca de qualidade
O zootecnista e professor da UFGD, Fernando Miranda, apontou a urgência da criação de uma marca de qualidade da carne ovina em Mato Grosso do Sul. O maior problema, atualmente no Estado, é a ausência de organização na cadeia produtiva. “Nas indústrias, existem as ISOs que normatizam o gerenciamento e garantem a qualidade dos produtos. No setor agropecuário, o objetivo é trabalhar com o selo de qualidade IGP regional, que é a Indicação Geográfica de Procedência. A carne de ovinos possui um preço diferencial e seu consumidor é exigente.”, disse Miranda.
A marca de qualidade agrega valor e leva ao consumidor qualidade nutricional, sanitária, comercial e de serviço, sensorial e de apresentação. Segundo o zootecnista, no Estado, a qualidade, a padronização e o conhecimento técnico são deficientes; a maioria dos abates não é fiscalizada, enfraquecendo a cadeia; e a indústria é instável, gerando dificuldade na logística de distribuição.
Entre os aspectos destacados para formação de um programa de carne ovina de qualidade estão a existência de Conselho Regulador, parcerias técnicas, reuniões entre produtores, marca com critérios nas escolhas dos animais, treinamento de produtores e técnicos e entendimento da preferência do consumidor.
Desafios e oportunidades
“A ovinocultura, antes de tudo, é um alimento e o que rege o mercado dos alimentos é a lei da oferta e da procura. Com o número de consumidores e poder aquisitivo aumentando, a qualidade dos alimentos também precisa crescer”. Esse é um desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para o setor, segundo o zootecnista e coordenador de ovinos do Frigorífico Marfrig, Gustavo Martini. “Até 2030, a tendência no consumo de carne é de quase 60% e podemos entrar nesse mercado”, destacando também que a carne ovina é a mais saudável entre as carnes vermelhas.
No Brasil, o desafio é aumentar o consumo por meio do aumento da produção de carne de qualidade, com menor custo de produção. O consumo per capta brasileiro é de 700g/habitante/ano. “Para suprir a demanda por 300g a mais por ano, o Brasil teria que abater quatro milhões a mais de ovinos anualmente, quase o rebanho do Rio Grande do Sul”, disse Martini. O aumento do consumo nacional pode seguir o exemplo dos maiores países consumidores, como na Nova Zelância, que chega a 18kg/habitante/ano. “A carne ovina é facilmente encontrada nas gôndolas do mercado, que já vem porcionada, é de fácil preparo e ainda possui maior valor agregado”, disse.
Confinamento
A "Análise econômica no confinamento de cordeiros" foi o tema do administrador rural e professor da UFGD Marcio Rodrigues de Souza. Vários fatores são analisados como quantificação de custos fixos, variáveis e operacionais de cada dieta alimentar, identificação dos itens de custos com maior influência sobre os custos totais; avaliacão do desempenho econômico através dos cálculos dos indicadores do resultado econômico e financeiro da Renda Bruta, margem bruta, receita operacional agrícola, margem líquida, valor presente líquido, taxa interna de retorno e relação benefício-custo.