A Fundação MS (Fundação para Pesquisa e Difusão de Tecnologias Agropecuárias) entrou com uma ação na Justiça para a retirada de um acampamento formado por trabalhadores sem-terra integrantes da Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do MS) instalados nas imediações da fazenda Alegria, utilizada para realização de pesquisas, em Maracaju.
A entidade também fez Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia de Maracaju. A preocupação maior é com os prejuízos e alterações nas pesquisas. A Fundação MS é uma entidade sem fins lucrativos que tem por objetivo o desenvolvimento e adaptação de tecnologias para o setor agropecuário. Atua há mais 15 anos e é reconhecida por suas atividades relevantes para o desenvolvimento do setor dentro e fora do Estado.
O acampamento dos sem-terra foi montado em setembro do ano passado, à margem da rodovia BR 267, no quilômetro 358, e é formado por aproximadamente 50 barracas instaladas entre a pista e as terras arrendadas pela Fundação MS. Até o momento, os acampados ocupam uma faixa de dois hectares de extensão, onde fizeram a capina, derrubando inclusive algumas plantas de milho que servem como proteção às áreas de pesquisa.
A movimentação dos sem-terra também prejudica as pesquisas porque os acampados transitam diariamente na área explorada pela Fundação para buscar água na represa, localizada dentro da fazenda arrendada.
Para o gerente técnico-científico e pesquisador do Setor de Fitotecnia, Milho e Sorgo da instituição, André Luís Lourenção, a ação da Fetagri compromete o trabalho que atende a comunidade rural. “Eles estão próximos de uma área de experimentos do milho safrinha, onde são desenvolvidas pesquisas de competição de híbrido e de consórcio milho-braquiária, onde fazemos pesquisas sobre manejo de praga e também onde realizamos o Dia de Campo. São trabalhos realizados com muito empenho para atender a demanda do produtor rural”, explica o pesquisador.
Outra preocupação dos pesquisadores é de que com a circulação freqüente, os acampados também correm risco de acidentes e atropelamentos devido à alta movimentação de veículos de carga na rodovia. Ainda há o risco de intoxicação pela exposição indevida aos defensivos agrícolas usados nas pesquisas da instituição.