Aprimorar o projeto de lei que dá as diretrizes para o uso da vinhaça nos canaviais do Estado. Com essa finalidade foi criado um grupo de trabalho na audiência pública proposta pelo deputado estadual Laerte Tetila (PT) e realizada na Assembléia Legislativa, na tarde de ontem (27), com a participação de deputados estaduais, pecuaristas e representantes de instituições do agronegócio, com objetivo de debater o uso desse sub-produto da produção de álcool e açúcar.
Usada como fertilizando do solo, a vinhaça traz vantagens econômicas e ambientais, porém tem sido acusada de promover o crescimento desordenado da mosca do estábulo na região centro-sul do Estado. Desde o primeiro foco de moscas, há quatro anos, a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS) e a Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de MS) procuraram a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), principal órgão de pesquisa do País, para tornar eficazes os vários projetos de controle existentes.
Para o presidente da Comissão de Agroenergia da Famasul, Luís Alberto Moraes Novaes, a solução deve ter como base informações técnicas-científicas. “A mosca dos estábulos é uma praga agressiva que ocasiona danos à pecuária. É fácil verificar que a forma mais eficaz de buscar o equilíbrio e posteriormente uma solução está na pesquisa Precisamos de uma solução viável para que não ocorram prejuízos ao meio ambiente, às usinas ou para o produtor rural”, enfatiza Novaes.
A secretária estadual de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo, Tereza Cristina, concorda com Novaes, e informa que estão sendo tomadas providências. “A forma de utilização da vinhaça deve ter solução técnica. A Embrapa avança nos estudos em MS e logo apontará resultados”.
Os pecuaristas dos municípios de Maracaju, Rio Brilhante e Nova Alvorada do Sul retratam que há um surto da mosca dos estábulos nas propriedades próximas aos canaviais. “O incômodo ocasionado ao gado diminui seu tempo de pastagem, consequentemente a queda de peso do animal e da produção de leite, gerando uma desvalorização de toda a cadeia produtiva”, destacou a produtora rural e presidente do Sindicato Rural de Nova Alvorada do Sul, Telma Menezes de Araújo.
O grupo de trabalho será formado por representante da Famasul, Seprotur, Embrapa, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e dos produtores rurais.