O feito de dona Josefa da Costa Ferreira Bruno, uma das pioneiras do ciclo que transformou a Vila Vargas, distrito localizado há pouco mais de 13 quilômetros da área urbana do Município na ‘capital do alho’ de Mato Grosso do Sul, está prestes a se repetir, mais de quarenta anos depois.

Josefa construiu casa na vila vendendo alho às margens da rodovia em 70
Agora, Vangivaldo Belo da Silva, um dos líderes da Agrovargas (a Associação da Agricultura Familiar de Vila Vargas), resolveu investir no experimento com o aproveitamento de um lote de sementes produzidas pela Embrapa de Dourados.
“É possível, sim, voltar àquele tempo”, acredita o produtor, depois de 16 anos trabalhados com a avicultura, uma ‘ilusão’, como definiu, pelo alto custo de produção, inviável para os pequenos do setor.
Vangivaldo plantou 5 kg da semente Amarante, e espera colher 100 kg para reverter no reinício do que chama de resgate da tradição da Vila Vargas. Em abril do ano que vem ele começa o plantio da safra para refazer os caminhos trilhados por dona Josefa na década de 70.
O secretário municipal da Semafes (Secretaria da Agricultura Familiar e Economia Solidária) de Dourados, Landmark Ferreira Rios, diz que a disposição de Vangivaldo é elogiável. “Estamos com ele, já ajudamos a começar o Pais [o Programa Agroecológico Integrado Sustentável que deu origem a pelo menos uma dezena de hortas comunitárias na região do distrito] e agora vamos ajudar também nessa iniciativa de resgatar a cultura do alho, como forma de estimular o produtor do distrito a crescer e se desenvolver sem sair de casa”, diz Landmark.
Variedades
Enquanto não retoma o ciclo do alho, Vangivaldo Belo investe os R$ 9 mil obtidos do programa Pais, uma parceria da Prefeitura com o Banco do Brasil e do Sebrae, com incentivos do BNDES, na formação do projeto integrado, onde desenvolve hortaliças e cria aves e ainda comercializa o excedente, semanalmente, na feira do produtor da agricultura familiar, em Dourados.