O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) pretende licitar, ainda neste ano, um pacote de dez grandes obras rodoviárias que já foram apontadas como eixos prioritários no Projeto Centro-Oeste Competitivo, encomendado pela Fiems e Famasul com apoio da CNI e CNA para listar as intervenções necessárias para reduzir os gargalos logísticos do Brasil. Esses projetos, tidos como essenciais pelo Governo Federal e que juntos devem demandar investimentos da ordem de R$ 2,7 bilhões, visam atenuar as péssimas condições de escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste.
Os trechos são acesso ao porto de Miritituba (Pará), implantação da BR-242 (Mato Grosso), duplicação de dois lotes da BR-381 (Minas Gerais), construção de ponte sobre o Rio Jaguarão (Rio Grande do Sul), duplicação da BR-101 (Alagoas), duplicação de dois lotes da BR-304 (Rio Grande do Norte), construção de ponte sobre o Rio Xingu (Pará), construção de duas pontes sobre a BR-163 (Pará), construção de contorno rodoviário no norte de Porto Velho (Rondônia), derrocamento do Pedral do Lourenço (Pará). “Todos esses trechos citados foram contemplados no Centro-Oeste Competitivo. Em especial, os mais importantes são o de acesso ao porto de Miritituba, a BR-242, o derrocamento do Pedral de Lourenço e a construção de duas pontes sobre a BR-163”, detalhou Olivier Girard, o diretor da Macrologística, empresa contratada para elaborar os dois projetos.
Olivier Girard reforça que esses investimentos vão atender a uma demanda antiga das duas regiões do País e confirmada pelos estudos de priorização realizados durante o Centro-Oeste Competitivo. “Essas obras vão diminuir a dependência dos produtores da Região Centro-Oeste aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) e à Ferrovia ALL. Além disso, vão permitir a transferência das cargas para os portos do Norte e, assim, facilitar a implementação de três novos eixos prioritários, que são o eixo rodo-hidroviário da BR-163 mais Hidrovia do Tapajós, com transbordo em Miritituba e saída pelos portos de Vila do Conde e Santana, eixo rodo-hidroviário da BR 242 mais Hidrovia do Tocantins, com transbordo em Marabá ou Estreito e saída pelo porto de Vila do Conde, e eixo rodoferroviário da BR-242 mais Ferrovia Norte-Sul, com transbordo em Porto Nacional e saída pelo porto de Itaqui”, detalhou.
Segundo o diretor da Macrologística, esses novos eixos prioritários possibilitarão um aumento na competitividade por meio de uma maior competição entre diferentes modais, o que possibilitará a redução dos custos logísticos de transportes. Na avaliação do diretor-corporativo da Fiems, Jaime Verruck, com a inclusão desses eixos prioritários nas licitações da União, o Projeto Centro-Oeste Competitivo começa a ter o retorno esperado pelo setor produtivo estadual. “A expectativa da Fiems é que essas licitações possam atrair o maior número possível de construtoras interessadas na execução das obras e, dessa forma, contribuir para a redução dos cursos do frete no escoamento da nossa produção”, analisou.
Jaime Verruck reforça que um eixo prioritário apontado pelo Centro-Oeste Competitivo, que é a duplicação da BR-163, também já foi contemplado e está em andamento, o que resultará na redução de até 10% no custo do frete cobrado atualmente no Estado. “Essa duplicação vai contribuir em muito para redução do tempo médio gasto pelas transportadoras, bem como na diminuição do desgaste dos veículos”, destacou, completando que o projeto fez uma avaliação profunda das necessidades logísticas da Região com foco em Mato Grosso do Sul.