O presidente da Fiems, Sérgio Longen, criticou duramente, nesta quarta-feira (3), o sexto aumento seguido da taxa básica de juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, que elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, aumentando para 13,75% ao ano, retornando ao nível de janeiro de 2009. “No início, a trajetória de alta da taxa básica dos juros era esperada pelo setor industrial do Estado como principal medida do Governo Federal para conter a inflação, mas, na condição atual da economia nacional, a medida, ao invés de matar, está fortalecendo o monstro da inflação”, analisou.
Ele reforça que essa situação de aumentos constantes dos juros praticamente proíbe os investimentos por se tratar de uma taxa fora dos padrões aceitáveis em nível mundial. “O Brasil, novamente, caminha na direção contrária do resto do mundo. As reuniões mensais do Copom já são fonte constante de preocupação do setor produtivo. Nós não concordamos com esse aumento da taxa de juros, a nossa posição era de que o Governo pelo menos mantivesse a taxa antiga, que já é altíssima, e não elevar novamente os juros e, dessa forma, fazer a inflação disparar ainda mais”, pontuou.
Sérgio Longen destaca que hoje o empresário tem de lidar com o descontrole do dólar, da inflação, dos juros e das contas do Governo Federal. “Vivemos um descompasso completo da economia nacional. Na avaliação do setor industrial, o grande mal é a decisão do Governo de aumentar impostos para cobrir as próprias despesas que estão descontroladas. Para fazer o equilíbrio monetário, ele acaba cortando os investimentos, o que prejudica ainda mais a economia”, afirmou.
O presidente da Fiems aconselha o Governo Federal a cortar, imediatamente, o custeio da máquina pública. “A produção está dando sinais claros que não está aguentando mais o arrocho do Governo. Com exceção do agronegócio, há uma crise em todos os setores produtivos, que estão navegando com dificuldades, demonstrando claramente que não dá mais. O remédio receitado pelo Governo está muito amargo e, ao invés de curar, vai matar o paciente”, avisou.