"Poucos períodos de outono-inverno foram tão favoráveis ao milho safrinha quanto este de 2015, na região sul de Mato Grosso do Sul e do Brasil", diz Claudio Lazzarotto, pesquisador e agrometeorologista da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados. No Estadi, o milho safrinha ocupa uma área de 1,65 milhão hectares, a mesma do ano passado, e até o fim do mês passado, já havia sido colhido 35,9%, o que significa um atraso de 10% em relação a 2014, como constata Leonardo Portalete, engenheiro agrônomo da Aprosoja/MS. “Exceto o norte do Estado, onde as chuvas não atrapalharam”, diz Portalete.
No período de cultivo do milho, a quantidade e frequência de chuvas registradas no sul de Mato Grosso do Sul, as noites de temperatura amena e os dias quentes favoreceram o desenvolvimento das lavouras e "promoveram produtividades acima da média dos demais anos. Mesmo nos casos de plantio mais tardio (para MS, o zoneamento agrícola é até 10 de março e, segundo a Aprosoja/MS, cerca de 30% foi plantado após esse período devido ao atraso no plantio da soja em 2014), as produtividades estão acima dos padrões médios de rendimento. As chuvas ocorridas na época de colheita não prejudicaram a qualidade dos grãos", relata Lazzarotto, pesquisador da Embrapa.
A volta do El Niño
O motivo das chuvas no outono-inverno no Sul de Mato Grosso do Sul, período tipicamente de estiagem e geadas, foi a volta da ocorrência do El Niño, depois de cinco anos sem registros do fenômeno. O El Niño, que começou a se estabelecer em abril deste ano, altera, entre outros componentes climáticos, o regime de chuvas em várias áreas do planeta.
Já no Norte e Nordeste do Brasil, o fenômeno provocou acentuada redução das chuvas de abril a junho de 2015, segundo Mozar de Araújo Salvador, meteorologista da CDP (Coordenação Geral de Desenvolvimento e Pesquisa) do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), em Brasília. "No Norte e Nordeste há uma tendência de chuvas abaixo da média. Na Região Sul, o principal efeito é o aumento no volume de chuvas com maior frequência de tempestades".
Segundo Salvador, do CPD/Inmet, "em virtude da grade extensão das regiões brasileiras, as médias variam muito de uma localidade para outra, não sendo climatologicamente correto fazer uma média única para toda uma região. No Centro-Oeste, por exemplo, a média do período de abril a agosto varia entre 150 mm e 450 mm. No Nordeste, o contraste espacial é ainda maior: entre 180 e 1400 mm", declara.