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Sul de MS busca nova opção para melhorar produtividade

17 de novembro 2015 - 16h40 Por Redação Douranews
Sul de MS busca nova opção para melhorar produtividade

Em Mato Grosso do Sul, a equipe liderada pelos pesquisadores Júlio Cesar Salton, da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados e Ademir Zimmer, da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande, validou o Sistema São Mateus (SSMateus), novo formato de sistema de integração apropriado para a região da Costa Leste de Mato Grosso do Sul, de solos predominantemente arenosos. O diferencial é que, após a correção da fertilidade, a sequência da rotação começa pela pastagem (pasto-soja). 

O novo formato possibilitou o aumento da produtividade média de carne de seis arrobas/ha para 20 arrobas/ha. E, na mesma região, considerada inadequada para a produção de grãos, é possível obter uma média de 50 sacas de soja por hectare. "Com o início da rotação pela pastagem, há tempo adequado para que os corretivos reajam no solo, o sistema radicular da pastagem construa uma estrutura de solo favorável à manutenção de umidade e forneça a palha necessária para o plantio direto da soja", explica Salton. 

Um modelo parecido está sendo levado ao sul de Mato Grosso do Sul, na região de Naviraí, tradicional em pecuária de corte. Por meio de um projeto nacional de pesquisa e transferência de tecnologias (Rede de Fomento em ILPF e Macroprograma da Embrapa), foi montada uma URT (Unidade de Referência Tecnológica), em parceria com Copasul (a Cooperativa Agrícola Sul-mato-grossense) local.

Os últimos números da produção da pecuária indicam que o sistema de integração pode ser a saída para a região: em Naviraí, há cerca de 180 mil cabeças de gado. Antônio José Meireles Flores, gerente do departamento agronômico da Copasul, lembra que o número já foi maior (240 mil cabeças), e que existem cerca de 100 mil hectares ocupados por milho, soja, mandioca e cana-de-açúcar, a maior parte arrendada por pecuaristas a agricultores.

Segundo Salton, a região está ampliando a área cultivada com soja e milho em solos de textura média a arenosa, que, sem tecnologia adequada, não são propícios à agricultura. "A chance de perda nas lavouras é muito grande. Para aumentar a possibilidade de sucesso, é preciso colocar em prática o sistema integrado com pasto", afirma.

O diretor vice-presidente da Copasul, Yoshihiro Hakamada, ressalta que a URT trará benefícios para a região, que precisa recuperar cerca de 80% das áreas com pastagens. "Com as pesquisas focadas na realidade local, vamos aumentar a área de grãos, diversificar a propriedade, melhorar a fertilidade do solo e a produção de carne, além, é claro, de valorizar a propriedade", diz. 

Nos 31 hectares reservados para a URT na Copasul, os trabalhos de recuperação dos pastos começaram em 2014, com uso de corretivos e incorporação ao solo e com o cultivo, em diferentes áreas, de soja, milho, milho consorciado com Brachiaria ruziziensis, mandioca, eucalipto e com a pastagem BRS Piatã, que serão avaliados ao longo das safras. 

O ganho de peso do gado é monitorado a cada 60 dias em duas áreas: uma com pasto degradado e outra com pasto recuperado (BRS Piatã) em outubro/novembro de 2014. Na primeira avaliação, os resultados não apresentaram diferenças significativas, pois o ganho médio de peso foi de 0,199 kg/dia/cabeça na área de pastagem degradada e de 0,208 kg/dia/cabeça na área de pasto recuperado. Já na segunda avaliação, a recuperação do pasto já mostra o seu valor: enquanto o gado na área degradada perdeu em média 0,030 kg/dia/cabeça, os animais da área recuperada obtiveram ganho médio de 0,536 kg/dia/cabeça.

Hakamada lembra que a região de Naviraí tem uma pecuária tecnificada, com carne de qualidade, participando, inclusive do Programa de Apoio à Criação de Gado para o Abate Precoce (Novilho Precoce), vinculado à Secretaria de Estado da Produção. "O gado daqui é o Nelore, e o frigorífico da região abastece também outros estados brasileiros e exporta para outros países. Com a ILP, com certeza a qualidade e o mercado ficarão ainda melhores", acredita.