Questionar, pesquisar, inovar e buscar soluções que contribuam com a sustentabilidade dos solos nas lavouras, foi a mensagem central do 2º Ciclo de Palestras Agronômicas, realizado na terça-feira (15) na Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados. Cerca de 30 pessoas, entre engenheiros agrônomos e estudantes de agronomia participaram do evento, durante toda a manhã.
Durante o evento, realizado pelo Crea (o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) de Mato Grosso do Sul, por meio da Câmara Especializada de Agronomia e a Embrapa Agropecuária Oeste, os participantes tiveram a oportunidade de obter informações diversificadas sobre a área de solos por meio de palestras e mesa redonda.
O Chefe Geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Lafourcade Asmus, parabenizou a iniciativa de reunir agrônomos com o objetivo de valorizar os conhecimentos sobre solos, em suas diversas dimensões. O coordenador da Câmara Especializada de Agronomia do CREA-MS, Sinval Vicenzi e o Diretor Administrativo da Mutua/MS, Hamilton Rondon Flandoli também deram as boas vindas aos participantes.
O professor e vice-reitor da UEMS, Laércio Alves de Carvalho, em palestra intitulada 'O Engenheiro Agrônomo e o exercício da profissão na área de solos', falou dos desafios enfrentados pelos novos profissionais que hoje demandam por capacitação constante como forma de apresentar respostas as demandas da sociedade e exemplificou "atualmente, devido a degradação dos solos na área urbana, alguns profissionais da área de engenharia ambiental têm buscado apoio dos engenheiros agrônomos para ajudar a estabelecer estratégias de manejo que possibilitem a recuperação desses solos".
"De uma forma geral, a química e a física dos solos demandam por profissionais capacitados e que possam oferecer respostas ao setor produtivo, por meio de pesquisas e uso de tecnologias. Essas soluções envolvem redução de custos e ganho de produtividade, aliado a recuperação de áreas degradadas e devem estabelecer ainda indicadores de qualidade ambiental o que torna os desafios dos engenheiros agrônomos ainda mais amplo", disse Laércio.
Uso de inoculantes microbianos
O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Fábio Martins Mercante, falou sobre 'O uso potencial de inoculantes microbioanos na agricultura brasileira'. Segundo ele, numa média de dez safras de soja, o uso de inoculante aplicado a cada ano proporcionou um ganho de produtividade em torno de 9%, no Mato Grosso do Sul. Em sua palestra, ele esclareceu conceitos e usos de bactérias fixadoras e associativas, que contribuem com o fornecimento de nitrogênio e promoção do crescimento das plantas em cultivos agrícolas.
"No Brasil quase 30 milhões de doses de inoculantes são comercializadas por ano, sendo 90% somente nas lavouras de soja", disse. Segundo Fábio, o potencial de uso de inoculantes nas lavouras brasileiras é muito maior e poderia ser mais bem aproveitado, pois existem mais de 150 estirpes de bactérias autorizadas para quase 100 leguminosas e outras não-leguminosas incluindo: feijão, amendoim, caupi, milho, trigo, arroz, entre inúmeras outras.
Outro assunto foi a compatibilidade entre a inoculação e uso de fungicida em sementes de soja. "Geralmente, a bactéria presente no inoculante não sobrevive quando o produto é aplicado na mistura com o fungicida, conhecida popularmente conhecida como "sopão", por isso, sempre que for usar o fungicida, é preciso deixar para aplicar o inoculante na etapa posterior (após o tratamento com o fungicida)", explicou Fábio.
Agrotóxicos
Já o pesquisador da Embrapa, Rômulo Penna Scorza Júnior, explicou alguns conceitos relacionados ao comportamento ambiental de agrotóxicos. Ele esclareceu critérios que precisam ser considerados nas pesquisas de impactos do uso dos agrotóxicos, como forma de contribuir com a sustentabilidade e que norteiam os trabalhos que ele desenvolve na Unidade. Explicou também de que forma pode ocorrer o transporte dos agrotóxicos das lavouras para as águas superficiais ou para o lençol freático.
Segundo ele, existem três tipos de transporte predominante de agrotóxicos. Um deles é o escoamento superficial, ou seja, transporte dos agrotóxicos juntamente com a água da enxurrada e sedimentos. "Nesse aspecto, o plantio direto é uma das práticas de manejo que minimizam a formação de enxurradas e contribuem com a redução desse tipo de transporte", explicou ele.
O outro é a volatilização, que transporta de fase liquida para a fase gasosa, saindo do solo ou planta para atmosfera, porém poucos agrotóxicos são voláteis. Segundo Rômulo, pesquisas sobre a possível contaminação da água das chuvas poderiam ou não indicar a presença de resíduos de agrotóxicos. Finalmente, o processo de transporte pode ocorrer por meio da lixiviação, ou seja, quando a água que filtra no solo, chega ao lençol freático. Mas, as pesquisas tem revelado que esse é um tipo de transporte pouco frequente nos caso dos agrotóxicos pesquisados em nossa região.
Outra importante informação se refere ao processo de degradação de agrotóxicos em sistemas integrados de produção, que em geral, apresentam aumento da atividade microbiana no solo ao longo do tempo. Os resultados das pesquisas demonstram que o uso dos sistemas integrados de produção reduziu a persistência dos agrotóxicos no solo quando comparados com o sistema convencional.
"Hoje, temos mais de 300 ativos de agrotóxicos no mercado, interagindo com diferentes tipos de solos, variações climáticas, aliado ao elevado custo da pesquisa e o elevado tempo investido na instalação de experimentos e validação de metodologias que não possibilitaram resultados eficientes. Por isso, acredito na modelagem matemática e simulação do comportamento dos agrotóxicos, onde equações e informações de princípios ativos e dados climáticos estão reunidas, associadas aos modelos de comportamento dos agrotóxicos.