Nove frigoríficos de Mato Grosso do Sul vão poder realizar, até o fim do mês, os primeiros embarques de carne bovina para a Arábia Saudita, que habilitou as importações tanto para carne in natura quanto para o produto industrializado.
Segundo a Autoridade Saudita de Alimentos e Medicamentos (SFDA, na sigla em ingês), foram habilitadas as exportações de três unidades JBS, sendo duas de Campo Grande e uma de Naviraí, duas unidades Marfrig, em Bataguassu e Porto Murtinho, do frigorífico Total, de Paranaíba, Minerva, de Batayporã, Vale Grande, de Iguatemi e Mataboi, de Três Lagoas.
As indústrias fazem parte de uma lista que conta com 49 frigoríficos brasileiros aptos a exportar carne para o país do Oriente Médio. Os sauditas também habilitaram seis unidades em Mato Grosso, cinco em Minas Gerais, e duas em cada um dos estados, no Rio Grande do Sul, Rondônia e no Paraná, além de 10 em São Paulo, oito em Goiás, três no Pará e uma em Tocantins. A expectativa é que a quantidade de estabelecimentos aumente nas próximas semanas.
O setor estima que as exportações alcancem US$ 42 milhões em 2016. O potencial para os próximos anos, de acordo com cálculos do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), chega a US$ 74 milhões. Para a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, esse é um mercado com grande potencial: o país consome anualmente 108 mil toneladas de carne (85% são importadas), com expectativa de aumentar o consumo em até 8% até 2019.
Em 2015 as exportações de carne bovina brasileira para os países árabes atingiram faturamento de US$ 1,4 bilhão – 24% do total exportado no ano. Somente os Emirados Árabes Unidos importaram do Brasil 18 mil toneladas de carne bovina no ano passado, gerando faturamento de US$ 84 milhões.
O mercado saudita foi reaberto após negociações entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com o ministro da Agricultura do Reino da Arábia Saudita, Abdulrahman Al Fadhlyé. A suspensão das importações ocorreu em 2012, após um caso atípico da doença da vaca louca.
O fim do embargo à carne brasileira representa abertura não apenas do mercado saudita, mas de todos os países do Golfo. Somente a Arábia Saudita comprou, em 2014, US$ 355 milhões do produto, o que equivale a quase 100 mil toneladas. O valor representa 10% de tudo o que o Brasil exporta em carne bovina, que soma 1,1 milhão de toneladas anualmente.