Seminário contou com a participação de técnicos de usinas da região Sul do Estado — Assessoria
Cerca de 129 técnicos de usinas de cana-de-açúcar da região Sul de Mato Grosso do Sul participaram, terça-feira (7), do primeiro seminário agrícola do ano de 2017, intitulado “Preparo do solo e plantio da cana-de-açúcar”, o primeiro de cinco que acontecerão durante o ano de 2017 como parte da programação do 3º Ciclo de Seminários Agrícolas O seminário, realizado pela Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul) e Embrapa Agropecuária Oeste, aconteceu no auditório da unidade de Dourados.
O presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho falou sobre as “Perspectivas para o Setor Sucroenergético” e da importância do Renova Bio – Biocombustíveis 2030, um plano nacional do Ministério de Minas e Energia, voltado para o desenvolvimento do setor de biocombustíveis, que será realizado em parceria com o setor sucroenergético nacional. “O objetivo é dobrar a produção brasileira de etanol, aumentando 20 bilhões de litros por safra, até 2030. Atualmente, o Brasil produz, em média, cerca de 30 bilhões de litros de etanol por safra”, disse Hollanda.
A Biosul é umas das empresas que está participando da elaboração do Renova Bio. “A parceria com a Embrapa é fundamental para viabilizar resultados práticos que possam ser aplicadas pelas usinas”, finalizou ele.
O Chefe Geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Lafourcade Asmus, ressaltou que um dos temas prioritários da Unidade é a agroenergia. “Trazer as demandas do setor de forma organizada para a pesquisa, por meio dessa parceria, é uma das iniciativas que tem possibilitado resultados positivos para todo o seguimento sucroenérgetico”, avaliou. Segundo ele, a Embrapa Agropecuária Oeste tem muitas pesquisas e atividades de transferência de tecnologia voltados para o setor.
O diretor agrícola da Usina Laguna, de Bataiporã, Werner Semmelroth, disse que os seminários são muito técnicos e sempre possibilitam melhorias nos aspectos relacionados aos tratos culturais, manejo, melhorias do solo, controle de pragas e doenças. “As sugestões dos seminários têm possibilitado muitas melhorias para nosso trabalho, além de favorecer a troca de informações informais. A Embrapa tem um corpo técnico muito bom, que conhece muito sobre diversos assuntos agrícolas de nossa região. A experiência da Embrapa tem nos ajudado bastante”, destacou Werner.
Com informações compiladas do aspecto climático, a partir de dados de diversos institutos nacionais e internacionais que realizam previsão do tempo, o pesquisador Claudio Lazzarotto apresentou as probabilidades e disponibilidade de chuvas para o outono. “Nos meses de março e abril, início das colheitas e plantio, as chuvas devem ser frequentes, porém com distribuição irregular”, disse ele.
Já o pesquisador Carlos Ricardo Fietz, da Embrapa Agropecuária Oeste, falou sobre fatores de risco climático para a cultura da cana-de-açúcar. Ele destacou que em Mato Grosso do Sul, além da quantidade das chuvas, sua distribuição é muito importante. Ele disse ainda que o plantio da cana-de-açúcar no inverno é de alto risco climático na região sul de Mato Grosso do Sul. O motivo é que os meses de junho, julho e agosto são os mais frios e com menos chuvas no ano.
Fietz também falou sobre os plantios de cana-de-açúcar de ano e meio, que devem ser realizados preferencialmente entre dezembro e abril. “Com condições de umidade e temperatura do solo mais favoráveis, a brotação, emergência e estabelecimento dos canaviais é favorecida, diminuindo a quantidade de mudas por área e resultando em plantios com menor números de falhas”, explicou ele.
O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Cesar José da Silva, salientou a importância dos plantios serem realizados preferencialmente no período recomendado pelo zoneamento de risco climático para a cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul. Plantios fora deste período devem vir acompanhados de planejamento e utilização de técnicas agronômicas que auxiliam na redução dos efeitos negativos das condições agroclimáticas desfavoráveis, especialmente a baixa disponibilidade de água e temperaturas baixas do solo, que podem causar perdas significativas de produtividade. Para estas situações os plantios de inverno em áreas devem ser priorizados nas áreas onde é possível realizar a utilização de torta de filtro no sulco de plantio e a fertirrigação.