Dourados está prestes a experimentar o quarto prefeito em pouco mais de dois anos. Depois que Ari Artuzi foi eleito, em outubro de 2008, com a perspectiva de permanecer oito anos no cargo – se não fosse direto para o Senado, como chegou a sonhar, os cidadãos e cidadãs vislumbram, agora, a hipótese de participar de um mea culpa ainda que tardia.
Não fosse o desvio de percurso – ao contrário do Senado, uma cela de cadeia -, Dourados poderia ter agora o primeiro senador da história, Murilo Zauith, que está prestes e decidido a ser prefeito, e pelo visto inteiramente comprometido, para recomeçar toda a trajetória política a partir de Dourados.
Aliás, o Município está pelo menos 30 anos atrasado nessa perspectiva histórica. Quando José Elias tentou ser governador, em 1982 – talvez por desconhecer o combinado da dupla de caciques Wilson [Barbosa Martins] e Pedro [Pedrossian] – não havia como imaginar que chegaríamos a essa realidade.
Elias ficou pra trás, a dupla de caciques reinou e se revezou no poder até 1998, quando chegou o PT ameaçando acabar com o caciquismo e depois – eis novamente a região de Dourados em cena! – surge o médico André Puccinelli, bisturi maldoso, porém inteligente em punho, para conduzir a intervenção cirúrgica necessária e suturar feridas abertas do passado recente.
E, se para que o paciente sobreviva e possa alimentar chances de voltar a respirar sem a ajuda de aparelhos – nem de escuta, e muito menos bélicos – seja necessário rever fórmulas improváveis, como a de juntar óleo e água em um mesmo recipiente, então é possível prever que este mês de fevereiro de 2011 venha a sinalizar a retomada de uma caminhada interrompida pelo despreparo e a prepotência.
Que assim seja!