A possibilidade de realização de novas eleições para a Câmara de Vereadores nesta sexta-feira sinaliza com a complementação do processo de Diretas-já aberto logo após a prisão do ex-prefeito, o ex-vice e o ex-presidente da Câmara, acompanhados de outros oito vereadores e dezenas de agentes políticos e empreiteiros ligados ao esquema de corrupção instalado em Dourados.
A dúvida, porém, reside no fato de que os atuais vereadores, incluindo aí nove suplentes dos titulares afastados após as denúncias de envolvimento nas operações da Polícia Federal, repentinamente sentiram a necessidade de promover novas eleições. Será pelo receio de que os titulares possam retomar os cargos, diante da morosidade da Justiça e da própria casa em acelerar os processos de perda dos mandatos dos indiciados
Há quem diga, ainda, que essa “pressa” dos suplentes em legitimar a nova Mesa Diretora tem a ver com a proximidade da posse do prefeito eleito e de uma eventual ameaça que seria o retorno da vereadora e atual prefeita interina Délia Razuk ao Poder Legislativo, e da hipótese real dela vir a pleitear a condição de presidente da Câmara até setembro do ano que vem.
Se é verdadeiro que o poder é fascinante, capaz de produzir novos orgasmos a cada segundo, como já disse um dia o imortal Ulysses Guimarães, é possível também conjecturar sobre tudo isso. Ao longo do dia, será possível desvendar parte desse enigma. Espera-se.