Murilo Zauith realizou um sonho. Em 1998, quando se reelegeu deputado estadual, com 15.965 votos, o mais votado dentre os eleitos por Dourados na época, ele tinha em mente que um dia seria prefeito do Município. Tanto que eu o vi, um raro momento, comemorar a diferença de 13 votos sobre o segundo douradense eleito, o então vereador Laerte Tetila, do PT.
Dois anos depois, em 2000, como já se antevia na campanha eleitoral anterior, Murilo disputou a Prefeitura de Dourados contra o próprio Tetila e teve contra si o “peso da máquina” estadual, comandada naquele ano pelo governador recém eleito Zeca do PT que despachou para cá o sobrinho Vander Loubet e o amigo Londres Machado, os quais conduziram o “arrastão”. O próprio Vander, dois anos depois companheiro de Murilo na Câmara dos Deputados, narrou, em detalhes, como se processou a “operação”.
Em 2006, ao ser escolhido companheiro de chapa do governador eleito para o primeiro mandato André Puccinelli, Murilo viu reacender a chance de administrar Dourados. Mas, antes disso, teve que experimentar novamente o “peso da máquina”, desta vez comandada por um grupo de fora do Poder [embora alguns nem tão fora assim] e perdeu para Ari Artuzi.
Chegou 2010 e, com ele, a oportunidade de mostrar para o Estado que já tinha em mente tudo o que era possível realizar, primeiramente por Dourados, já que a cidade-sede do interior sempre quis ter um senador em Brasília, e depois para os demais Municípios, para atestar a liderança regional.
Agora, enfim, com um discurso renovado, mais firme nos propósitos que escolheu, embora ainda repetindo o bordão das primeiras eleições – “as pessoas tem que sair de casa com um saco plástico no sapato para enfrentar a lama e os buracos” -, o prefeito toma posse prometendo encher o saco do pessoal de Brasília, em busca dos recursos que vai precisar para tirar Dourados do atoleiro.
E, justamente lá em Brasília, vai reencontrar o sobrinho do Zeca, Vander Loubet, agora aliado de primeira hora. Com certeza, os dois têm muito mais o que conversar e, se der tempo, o ideal é que comecem a tirar tudo o que está armazenado no crânio para colocar em prática, porque daqui a vinte meses teremos novas eleições em Dourados.