Em todas as manifestações de preocupação dos governantes sobre o caos no trânsito, privilégio das cidades em expansão, pouco se percebe de compromisso com o pedestre. A “febre” desenfreada em torno das campanhas de acessibilidade mais se assemelha a uma política mercantilista de revenda das “guias” para cegos, tamanho o descalabro como estão sendo implantados os trilhos pelas tortuosas calçadas de Dourados, por exemplo.
Muito mais do que se preocupar com deficientes visuais, cadeirantes, idosos e outros portadores de necessidades especiais, o trânsito deverá contemplar o pedestre de forma muito mais ampla, considerando-o inclusive na condição de cliente e maior pagador de tributos.
Senão vejamos: Enquanto condutor de veículos, esse pedestre acaba sendo mais um componente do complexo e desorganizado sistema viário. Mas, ao estacionar, seja nas áreas delimitadas pelo sistema rotativo, ou mesmo fora dessa demarcação já que os próprios donos dos estabelecimentos comerciais preferem “mandar” na chamada zona azul, o pedestre se transforma no principal pagador de tributos, como consumidor/comprador.
Então, o ideal seria que as campanhas de conscientização para a melhoria do trânsito, no conjunto do sistema viário, fossem iniciadas levando em conta o populacho que se desloca pra lá e pra cá. Ordenados, com os respectivos direitos e deveres, seriam os próprios pedestres quem dariam o norte para o resto dos componentes do sistema.
Que tal começar a pensar nisso?